sábado, 26 de setembro de 2015

Zoofilia: Por que é imoral?

Série Ensaios: Sociobiologia

Por Raphael Coutinho Mello
Acadêmico do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas

           
Recentemente em sua autobiografia a subcelebridade Andressa Urach revelou ter tido seu primeiro orgasmo ao manter relações sexuais com o cachorro de uma amiga. Apesar da criminalização (Lei n º 9605/98) e desprezo por boa parte da população, é sabido que essa é uma prática muito comum em diversas regiões do mundo, e no Brasil, principalmente em áreas rurais onde muitos garotos têm suas primeiras experiências sexuais com animais de criação.
            Sabe-se que em humanos o comportamento sexual é influenciado pelo hipotálamo que tem o papel de estimular a glândula pituatária a liberar os hormônios sexuais. O hipotálamo secreta o fator de liberação apropriado no sangue, que alcança a glândula pituatária e a estimula a secretar hormônio gonadotrófico, que no homem tem como alvo os testículos para a produção de testosterona e esperma e nas mulheres o objetivo é estimular os ovários a produzir óvulos e secretar estrógeno e progesterona – hormônios estes responsáveis pelo desejo sexual.
Dentre as diversas “perversões sexuais” ou parafilias está a zoofilia, definida como atração ou envolvimento sexual entre humanos e animais de quaisquer outras espécies. Algumas teorias da Psicologia baseadas nas obras de Freud, classificam a Zoofilia como um transtorno da sexualidade humana e a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), na categoria F65.8 (Outros Transtornos de Ordem Sexual) aborda a bestialidade (ou zoofilia).
Sabe-se que muitos problemas da sociedade humana estão freqüentemente relacionados a interações entre ambiente e comportamento ou entre genética e comportamento (Snowdon, 1999) - apesar disso, não existe ainda uma explicação completamente aceitável para as parafilias, sendo possível que tenham sido um comportamento ancestral que e que foi culturalmente transmitido para alguns, no caso da zoofilia podendo ter surgido há aproximadamente 10 mil anos atrás após a revolução agrícola quando o homem parou de ser nômade, se estabeleceu em terras fixas e começou a plantar e domesticar animais, por outro lado, é possível que desde os primórdios não tenha sido um comportamento socialmente aceito por todos e por isso ainda é mal visto por grande parte da população, provavelmente devido ao fato de que os comportamentos humanos foram sexualmente selecionados, ou seja, os comportamentos que não favoreciam o indivíduo de se reproduzir foram eliminados ou pelo menos transmitidos com frequência bem menor se comparado aqueles que favoreciam a reprodução, já que no início quando a espécie vivia em pequenos grupos um indivíduo de comportamento aberrante poderia ter dificuldade em se relacionar social e sexualmente dentro do grupo por estar fora do Imperativo Reprodutivo e com isso não escolhia parceiros sexuais e também não era escolhido, já que não visto como um parceiro em potencial por apresentar um comportamento que não ajudaria na reprodução das futuras gerações, e justamente devido ao Imperativo Reprodutivo é que estamos sempre tentando adequar nosso comportamento ao do grupo, ou julgando como os outros se comportam e excluindo da competição por pares reprodutivos aqueles que julgamos imorais.
Mas porque a moral é considerada tão importante em nossa sociedade?
Acredita-se que a moral seja a responsável pela manutenção da ordem entre as pessoas e sociedades, sendo inclusive ensinada desde para as crianças desde muito cedo. Caso contrário, diante de quaisquer adversidades que surgissem em nosso caminho, retornaríamos ao nosso estado primitivo e resolveríamos todos os problemas de maneira antiquada, desprovida de ética e moral, tal qual os criminosos que notoriamente não seguidores dos valores morais. Então na verdade os valores morais foram criados para regular a vida em sociedade, fazendo com os que não os seguem sejam mal vistos pela maioria e em muitos casos até segregados do convívio social, seja pela lei quando são criminosos ou por nós mesmos, qual julgamos que uma pessoa não é boa o bastante para fazer parte de nosso convívio quando a julgamos imoral, ou ainda pela religião

Este ensaio foi realizado com base nas referências:
Diniz IA, Chagas AR, Fiedler MW, Ribeiro RB, Silva ALR, Machado RM TRANSTORNOS DE IDENTIDADE E DE COMPORTAMENTO SEXUAL: UMA ABORDAGEM EPIDEMIOLÓGICA Rev Rene. 2013; 14(2):231-40.

Snowdon T. Charles O SIGNIFICADO DA PESQUISA EM COMPORTAMENTO ANIMAL Estudos de Psicologia 1999, 4(2), 365-373 365

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