domingo, 30 de setembro de 2012

Guerra dos sexos? Quanto drama!



Série Ensaios: Sociobiologia

Por Cristiane Stacechen e Flávia Santos

Acadêmicas do curso de Ciências Biológicas

A diferença entre os seres humanos, mas especificamente entre homens e mulheres, é parte da história da humanidade estando presente nos mais diversos discursos - filosófico, religioso, biológico/científico, psicológico, antropológico e social. Mas é na modernidade que esse tema ganha maior relevância como objeto de análise (Araújo, 2005). Desde os tempos das cavernas, as atividades cotidianas já eram divididas entre o que era trabalho do homem e o que era trabalho da mulher. Trabalhos que exigiam mais força, como a caça e a proteção à família ficavam aos homens e zelar pelas crianças e idosos, pela alimentação e manutenção da caverna era as atividades das mulheres. Com o passar do tempo - mesmo com os avanços tecnológicos e consequentemente, com a modernização do mundo e ocorrendo mudanças e atingindo paradigmas criados - as divisões entre atividades masculinas e femininas se mantiveram. As diferenças e limites entre homens e mulheres virou mais do que uma questão cultural, passada de geração por geração. Ganhou força no enfoque biológico, o qual prova que essa questão vai muito além das questões sociais, psicológicas e antropológicas.
Atualmente, no ponto de vista biológico, por exemplo, segundo K. Pastore e V. França: “a principal diferença entre homens e mulheres se encontra na forma pela qual utilizam o cérebro. Nos homens, predomina o uso do lado esquerdo, responsável, entre outras funções, pelo raciocínio lógico. As mulheres usam tanto a porção esquerda como a direita do cérebro, que deflagra os mecanismos da emoção. Elas têm, por isso, uma relação mais estreita com todas as formas da linguagem. Eles são mais frios”. Segundo Doreen Kimura, neurologista da Universidade de Ontário Ocidental, Canadá, a descoberta de substanciais diferenças entre os sexos sugere que homens e mulheres possam ter interesses e habilidades diferentes, independentemente de qualquer influência social. Homens são de Marte, mulheres são de Vênus. Para o escritor John Gray é assim que a relação homem-mulher deve ser interpretada. Apesar de quase todo mundo concordar que homens e mulheres são diferentes, o como são diferentes, está ainda indefinido para a maioria das pessoas. Não somente homens e mulheres se comunicam diferentemente, mas pensam, sentem, percebem, reagem, respondem, amam, precisam e apreciam diferentemente. Eles quase parecem ser de planetas diferentes, falando línguas diferentes e necessitando de diferentes nutrientes. Muitas vezes, sem a consciência de que deveriam ser diferentes, homens e mulheres estão sempre em disputa uns com os outros.
Sendo tão diferentes assim, homens e mulheres também se inter-relacionam de maneiras diferentes. Para entender, é preciso voltar no tempo e fazer um passeio pelas savanas africanas, 3 milhões de anos atrás. O homem caçava e protegia a família. A mulher cuidava dos filhotes. Mas, em determinado momento, os casais se separavam. O objetivo da família nuclear - nome técnico que os antropólogos dão ao conjunto de pai, mãe e filhos - era garantir que o homem ficasse por perto tempo suficiente para criar o filhote. Somente isso. Quando o filhote já estava crescidinho e não exigia atenção integral da mãe, o pai estava livre para ir embora e procurar outras fêmeas para iniciar uma nova cria. Isso mudou e os homens passaram a cultivar relacionamentos monogâmicos.
O comportamento mudou, homens e mulheres passaram a ter mais tempo juntos, no entanto, cérebro e corpinho continuam sendo os mesmos. Então entram em cena os problemas mais comuns nos relacionamentos: a traição e o ciúme. As estatísticas variam, mas entre 50 e 60% dos homens praticam sexo fora do casamento, contra 45 a 55% das mulheres. As raízes disso estão dentro do cérebro. Os sistemas cerebrais (luxúria, paixão/amor e ligação) são independentes. Isso tem um motivo - e não é complicar os relacionamentos, pelo contrário: surgiu para que nossos ancestrais pudessem buscar estratégias reprodutivas diferentes. A mulher poderia ter um parceiro para protegê-la enquanto gerava os filhos de outro, enquanto o homem poderia espalhar seus genes alegremente por aí, com outras mulheres. A natureza não queria o ideal romântico de amor eterno, mas sim que tivéssemos um backup reprodutivo, um plano B genético, e nos meteu nessa confusão. 
O ciúme é destrutivo para os relacionamentos. Como tantas outras características, o ciúme não é exclusivamente humano. Por exemplo, existem aves que examinam a fêmea quando chegam ao ninho, assim, se ela tiver tido contato com outro macho, eles a rejeitam. O mais interessante é que esse monstro de olhos verdes - como chamou Shakespeare - surgiu com o objetivo oposto - preservar a relação monogâmica. Ao primeiro sinal de infidelidade, soa o alarme e a pessoa fica atenta. E, como homens e mulheres desenvolveram estratégias distintas de reprodução, também sentem ciúmes de coisas diferentes. Já que, por conta da fecundação interna, as fêmeas de mamíferos têm mais certeza de que os filhos são seus, os machos sempre ficam na dúvida. Essa diferença fisiológica na fecundação e gestação da prole influenciou na evolução do tipo de ciúme mais predominante em homens e no tipo mais predominante em mulheres. Os homens ancestrais temeram mais ajudar a criar um filho que não era deles e as mulheres ancestrais temeram mais perder o vínculo emocional e assim o cuidado paternos em seus filhos.
Em 2006, o neurologista japonês Hidehiko Takahashi realizou um estudo que comprovaram que, quando sente ciúmes, o homem usa partes do cérebro ligadas a comportamentos agressivos e sexuais, como a amígdala e o hipotálamo. Já nas mulheres, a área mais ativada durante as crises de ciúme é o sulco temporal posterior superior, associado à percepção de emoções nas outras pessoas. É por isso que há mais casos de crimes passionais cometidos por homens do que por mulheres. A máxima de que “quem ama cuida” é comumente citada pelos ciumentos. “Porém, quando esse sentimento passa a ser um sofrimento muito grande, a ponto de prejudicar a vida daquele que o sente, ou a de seu parceiro, pode se tratar de um quadro de ciúme patológico”, diz o psicólogo Thiago Almeida em matéria da revista Istoé de julho de 2012. Um caso real de ciúmes é uma história de amor iniciada há quatro anos que terminou em agressão e morte por ciúme excessivo. É assim que pode ser resumido o relacionamento do corretor de imóveis Bruno César Augusto Ribeiro, 30 anos, com sua mulher, a ex-modelo Babila Teixeira Marcos, 24. Após uma discussão, Bruno matou Babila a facadas. Um dos golpes desferidos esfacelou a maçã direita do rosto da jovem. Bruno foi indiciado por homicídio qualificado e motivo torpe. O desentendimento do casal parecia apenas mais um entre tantos, geralmente motivados pelo ciúme exagerado dele. O psicólogo César Ades afirma em entrevista que há toda uma problemática que pode ser abordada a partir das diferenças do tipo de concepção que a pessoa tem do comportamento amoroso que muitas vezes é influenciado por atitudes e visões sociais e relações que se adquire na infância. Se você adquire uma visão confiante, o ciúme tende a ser algo normal, mas se tem uma atitude ansiosa, tende a tornar uma pessoa muito preocupada.
Nós acadêmicas de biologia acreditamos que primeiramente as diferenças biológicas eram mais evidentes e aceitas por ambos os sexos. Cada um tinha sua função e cumpria com seu papel dentro do relacionamento. Com o passar do tempo, surgiram os problemas de comunicação, principal causa de confrontos entre os casais. Houve também a busca das mulheres, até então consideradas o “sexo frágil”, pela independência, seja ela financeira ou emocional. Desde então movimentos pela igualdade entre os sexos ganharam força e as diferenças, antes consideradas normais e fundamentais, tornaram-se motivos para se criar uma hierarquia entre os sexos. Atualmente os limites entre o biológico e o social se confundem, transformando o que era para ser natural em discórdia, despertando os piores sentimentos em cada sexo, levando ao confronto físico, e em casos extremos, ao assassinato.

Este ensaio foi elaborado para disciplina de Etologia II, sendo baseado nas seguintes obras:

Flávio COSTA, Natália MARTINO e Paula ROCHA. O lado trágico do ciúme. Revista Istoé, 18 de julho de 2012 – ano 36 – N° 2227, pg. 74
John GRAY. Homens são de Marte, mulheres são de Vênus. Rio de Janeiro - 1996. Editora Rocco Ltda.

sábado, 29 de setembro de 2012

Um Tapinha Não Dói.... Dói?



Série Ensaios: Sociobiologia

Por Flávia Santi, Guilherme Borges, Jéssica Cumin,  Kassiana Ribeiro e Letícia Dalanhol

Acadêmicos do Curso de Biologia
           

Diversos casos de agressividade ocorrem em crianças, na sua maioria estes abusos estão mais próximos de nós do que imaginamos. Muitos são os casos de pais que agridem filhos, mas ultimamente, são as babás as principais vilãs destas atrocidades. Em maio deste ano uma babá foi denunciada pela família após ser flagrada, pela câmera do notebook, agredindo uma criança de apenas três anos na Bahia (veja a matéria). O vídeo chocou o país, pois no mesmo são visíveis as agressões físicas e psicológicas sofridas pela menina.
O que provoca tal ira nas pessoas a ponto de não conseguirem respeitar o próximo, mesmo quando este é uma criança indefesa?
A agressividade segundo Sigmund Freud, é um processo biológico inato com uma disposição instintiva e parte integrante da natureza humana, eles não podem ser totalmente suprimidos como se não existissem.
Konrad Lorenz  ressalta que nos animais, em geral, a agressividade tem um papel positivo para sobrevivência da espécie, como o afastamento de competidores e a territorialidade. O ponto crucial da visão de Lorenz a respeito da natureza humana é que, assim como muitos outros animais, o homem tem impulsos agressivos inatos em relação a sua própria espécie e este estaria limitado a poucos danos, se não fossem dois problemas: o homem dispor de armas que multiplicam seu poder ofensivo e a falta, na espécie humana, como em outros animais, o respeito ao gesto de submissão feito pelo perdedor (Cobra, 2003).
Nas sociedades ocidentais, bastante competitivas, a agressividade é estimulada como sinônimo de iniciativa, ambição, decisão ou coragem. A agressividade é um comportamento emocional que faz parte da afetividade de todas as pessoas e que se manifesta nos primeiros anos de vida, como forma de chamar a atenção para si, é uma espécie de reação que se adquire quando está à frente de situações de fragilidade e insegurança. Na fase adulta, se manifesta ainda como reação a fatos que aparentemente induzem o indivíduo à disputa e ainda a sentimentos. Agressividade e medo são emoções fundamentais na sustentação de processos decisórios, sendo assim a ação está na agressividade, e a reação na violência (Paulon, 2009). Segundo Paulon (2009), a agressividade humana é classificada em: Agressão hostil; agressão instrumental; agressão direta; agressão deslocada; auto – agressão; agressão aberta; agressão dissimulada e agressão inibida.
A Lei que proíbe as palmadas e o projeto de lei que modifica o Estatuto da Criança e do Adolescente em seu artigo 18 surgiu a partir de uma pesquisa realizada ao longo de trinta anos pela USP. O estudo apontou que crianças que sofriam abuso ou agressões chegavam à vida adulta traumatizadas e se mostravam mais agressivas rotineiramente. Mas a nova lei contra palmada, em que fica vedado aos pais usar castigos na educação dos filhos, levanta uma série de questionamentos de ordem legal e cultural. Até que ponto o estado tem o direito de intervir na educação que os pais dão? (Romanini et al. 2010).
Marilda Lipp descreve que o castigo aceitável é aquele que não machuca, apenas estabelece uma comunicação imediata e põe a criança em estado de alerta para entender o que é certo (Romanini et al. 2010). A palmada passa a ser um problema quando se torna a principal forma de comunicação dos pais com os filhos.      Estudos demonstram que a agressividade, assim como a vida criminosa, pode estar vinculada com a genética. Mas tal atitude deve ser estudada por um modelo que contempla três linhas: a biológica, a psicológica e a social (bio-pscico-social), neste modelo a linha biológica é a que define a personalidade e são separadas em categorias:
1.    Fatores genéticos – estudos mostraram que irmãos gêmeos univitelinos possuem o dobro de correlações criminosas que os não univitelinos e mais ainda quando comparado aos irmãos não gêmeos.  Outro estudo demonstra que a similaridade criminosa é maior entre a mãe e a prole do que comparado com o pai.
2.    Fatores bioquímicos – estudos mostram que a agressividade está ligada com diversas substâncias como o consumo de álcool, e o consumo deste por pessoas com baixos níveis de colesterol, pessoas com altos níveis de testosterona, ácido fenilacético e norepinefrina.
3.    Fatores neurológicos – associam o desequilíbrio comportamental com algum tipo de alteração neurológica - alguns pesquisadores descrevem que a agressividade está associada com alterações no lobo frontal, pois é neste que são regulados os comportamentos, desenvolvimento de planos, inibições, autocontrole e outras atividades de nível social. As alterações nesta região do cérebro resultam em dificuldades em experimentar outras sensações.
4.    Fatores piscicofisiológicos – esta linha de raciocínio estuda a relação das atividades neurais com a agressividade, é como se a função neural fosse maior em pessoas agressivas, gerando assim uma maior ativação do sistema nervoso. Este tipo de característica já foi observada em crianças e adolescentes com problemas comportamentais.
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, sugere que a serotonina, um dos principais neurotransmissores do sistema nervoso central, é determinante na regulação das emoções, no comportamento impulsivo e nas interações sociais. A serotonina, já era há muito associada ao comportamento social, muito embora o seu envolvimento preciso na agressividade tenha sido sempre um assunto controverso. Segundo o estudo, o triptofano, um aminoácido essencial para produção de serotonina pelo organismo só se obtém através da alimentação, o que explicaria o fato de que algumas pessoas se tornem agressivas quando estão com o estômago vazio.
Para o sociólogo  Sérgio Adorno, as pessoas sempre agirão agressivamente. A questão é fazer com que essa agressividade permaneça num nível tolerável. O preço de viver em sociedade é controlar os impulsos. As pessoas devem direcionar a agressividade e a violência utilizando meios alternativos e inofensivos, pois o homem é o único animal capaz de dar um sentido positivo a seus impulsos agressivos. A participação em competições esportivas ou mesmo quando se trabalha com afinco, faz com que a agressividade seja colocada para fora.
Psicólogos afirmam que só o é homem é capaz de deixar para amanhã o que não deve fazer hoje — agredir o próximo. Mas a capacidade de dissimular acaba às vezes revestindo a agressividade humana de sua pior forma — a vingança. Um animal irracional pronto para agredir não disfarça — rosna, mostra garras e dentes afiados. O homem, ao contrário, pode pronunciar palavras ásperas com voz doce e mansa. Tudo isso, para os cientistas, torna muito complicado definir o comportamento agressivo humano exclusivamente a partir de uma de suas duas heranças — a genética ou a cultural. Uma coisa é certa, pelo menos para nós, humanos, a lei do mais forte, Ievada até o fim, pode cobrar um preço que a espécie não terá jamais como pagar.
Nós formandos de Biologia corroboramos que a agressividade é um ato instintivo, mas este comportamento é potencializado ou minimizado através da educação e do meio onde o individuo está inserido. Casos como o citado no inicio deste trabalho podem ser explicados como um distúrbio sentimental, mas, assim como nos animais, o homem possui poder sofre seus instintos e deve procurar formas alternativas de expressar seus sentimentos.


O presente ensaio foi elaborado para disciplina de Etologia II e baseado nas obras:

BALLONE, G.J.; MOURA E.C. - Biologia da Agressão. Disponível em : <http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=86&fb_source=message> 2008. Acesso em: 03 de setembro de 2012.
CAROPRESO, F. Freud e o mal-estar inerente à condição humana. Disponível em: <http://leiturasdahistoria.uol.com.br/ESFI/Edicoes/34/artigo133511-3.asp> Acesso em: 03 de setembro de 2012.
COBRA, R. Q. Konrad Lorenz - O teórico da agressividade e fundador da Etologia. Disponível em:< http://www.cobra.pages.nom.br/ecp-lorenz.html> 2003. Acesso em: 24 de setembro de 2012.
PARANHOS, C. Palmada fora-da-lei. Disponível em: <http://super.abril.com.br/cotidiano/palmada-fora-da-lei-441964.shtml>  2001. Acesso em: 03 de setembro de 2012.
PAULON, W. Agressividade e Psicanálise. 2009.
ROMANINI, C.; SALVADOR, A.; MAGALHÃES, N. Palmadinha fora da lei. Disponível em: <http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/palmadinha-fora-lei-584360.shtml> 2010. Acesso em: 03 de setembro de 2012.
Confirmado papel da serotonina no controle da agressividade. Revista Ciência Hoje. 2008. Disponível em: <http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=26467&op=all> Acesso em: 03 de setembro de 2012.

O estudo do comportamento social dos animais: A Sociobiologia



Série Ensaios: Aplicação da Etologia

Por Eliseu Pacheco e Guilherme Fujii

Acadêmicos do Curso de Ciências Biológicas


            A sociobiologia é o estudo do comportamento social entre as espécies, inclusive a humana. Nesta ciência incorporam-se alguns estudos como evolução, etologia, genética e ecologia. Criada pelo biólogo Edward Osborne Wilson entre o fim da década de 1960 e o início dos anos 1970 quando, em sua publicação “Sociobiologia: a nova síntese” em 1975, o autor julgou ser pertinente unir o conceito de comportamento social humano com conceitos de biologia, analisando os aspectos em comum entre os temas, possibilitando o surgimento da sociobiologia.
            O principal foco da sociobiologia é o comportamento de seres organizados em sociedades, por exemplo, abelhas e formigas, comparando aspectos em comum desta necessidade de se tornarem sociais em relação à socialização humana. Essa ciência afirma que o comportamento humano evoluiu com base nos métodos de seleção natural proposto por Darwin. O comportamento social seria então uma recombinação de genes nas populações, segundo a concepção darwiniana. Porém questiona-se a relação com o comportamento extremamente mais complexo dos seres humanos. Essa questão é respondida através de um fator que nos torna diferente dos outros animais: a cultura. A herança cultural dos seres humanos pode modificar seu comportamento social sem levar em conta sua herança genética. Portanto, a sociobiologia tem o propósito de explicar, por exemplo, a razão que leva certos animais a viverem em sociedades enquanto outros tendem a se isolar. O princípio do modo de vida gregário é vantajoso para a adaptação dos seres ao meio ambiente. Acredita-se que cada indivíduo aja dentro de sua sociedade de forma a aumentar suas próprias chances de sobrevivência e adaptação.
            Para a sociobiologia conseguir uma explicação biologizante das sociedades humanas, isto é, para explicar as instituições sociais como casamento, guerra, religião, como se fossem resultado do condicionamento genético ou do processo adaptativo de certa população, ela precisa dos ensinamentos da biologia e da antropologia social.
            O conceito de natureza humana é visto com desconfiança pelos cientistas sociais. O que seria natureza humana? Um conjunto de instintos? Algumas tendências psicológicas universais? Hábitos culturais presentes em todas as sociedades? Atribuir ao termo natureza humana um status científico é meio arriscado. Essa questão é muito discutível dentro deste estudo de zoobiologia, pois ela entende que a natureza humana vista pelo seu comportamento social o aproxima dos outros animais que também vivem em sociedade.
            Nós formandos em Biologia podemos dizer que, nossa cultura social - bem mais complexa do que a dos outros seres vivos - é baseada no que temos de diferencial, que recebemos depois de uma longa história evolutiva: a capacidade de pensar. O que então nos tornou diferentes, apesar de existirem guerras e outros aspectos morais como a religião, é fruto da construção do cultivo de valores éticos e também dos nossos instintos animais que, temos incorporado à nossa essência humana. Talvez, as guerras, o racismo e alguns eventos políticos como o nazismo, seja uma forma animal de defender-se, defender a sua raça ou um grupo étnico. Apesar de considerarmos isso como uma forma um pouco irracional, já que a nossa sociedade humana emprega a igualdade, como nos governos democratas.

Esse ensaio foi elaborado para disciplina de Etologia II sendo baseado nas obras:

KREBS, J.R.; DAVIES, N.B. Introdução à Ecologia Comportamental. São Paulo: Atheneu, 1996. 420p. 
ADES, C. 1997 "O morcego, outros bichos e a questão da consciência animal", Psicologia USP, São Paulo, vol. 8(2), p. 129-57.

ALVARD, M. S. 2003 "The adaptative nature of culture", Evolutionary Anthropology, vol. 12, p. 136-49.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012005000200008&lang=pt

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69092009000200010&lang=pt

Rev. Antropol. v.48 n.2 São Paulo jul./dez. 2005



http://www.rc.unesp.br/biosferas/0040.php