domingo, 26 de agosto de 2012

Agosto ainda é o mês do Cachorro louco?


Já estamos no finalzinho do mês, mas fiquei me perguntando desde o início qual o motivo pelo qual Agosto é considerado o mês do cachorro louco. Embora o nome do mês tenha surgido de uma auto-homenagem do imperador Cesar Augusto  - ao longo história vem sendo marcado por fatos ruins: início da Primeira Guerra Mundial; liberação das bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki; Adolf Hitler se tornou o führer da Alemanha; Getúlio Vargas se suicidou e Juscelino Kubitscheck morreu; o muro de Berlim foi construído. Tá até aí entendi, mas o que tem os cães a ver com isso????

Segundo Antônio de Oliveira Lobão essa má fama tem a ver com aumento de cães infectados com o vírus da raiva. Embora o vírus possa atingir os cães em qualquer época do ano, durantes os meses de maio, junho e julho é verificada maior incidência de promiscuidade entre os animais e, como consequência, um aumento de brigas devido à disputa pelas fêmeas, logo de possibilidade de transmissão do vírus entre os animais. O vírus geralmente permanece incubado de 14 a 60 dias, o que culminaria na maior quantidade de cães contaminados em agosto. E por que Cachorro Louco? Porque os animais infectados babam muito e ficam com aparência de “loucos”.  A raiva é uma doença infecciosa causada por um vírus (Lyssavirus) que atinge o sistema nervoso de mamíferos - inclusive o homem - e apresenta letalidade de 100%. Nos cães o vírus aumenta a temperatura corporal, dilata as pupilas deixando o animal incomodado com a luminosidade fazendo com que se esconda e não reaja aos chamados do dono. Enquanto que a paralisia dos músculos da garganta impede que o animal ingira alimentos ou água, embora tenha sede e fome. Como consequência tem-se excesso de salivação, paralisia dos membros traseiros e fotofobia. No caso dos felinos, a raiva se apresenta, na maioria das vezes, de forma furiosa e com demais sintomas similares aos do cão.
Nos humanos, também ocorrem os mesmos sintomas, no início tem-se febre de pouca intensidade (38º), de dor de cabeça e alterações neurológicas que levam, posteriormente, ao aumento de temperatura (40º a 42º), mal-estar, formigamento, perda de sensibilidade no local agredido, náuseas e confusão mental. Durante três dias a vítima permanece inquieta e agitada pode apresentar ataques de terror e depressão, tendência a provocar atos de agressividade, com acessos de fúria, acompanhados de alucinações visuais e auditivas, além de baba e delírio. Torna-se, então, hidrófobo (tem dificuldades para beber água), sofre espasmos (contração involuntária e não ritmada do músculo) dolorosos na laringe e faringe e passa a respirar e engolir com dificuldade. Acontece, ainda, paralisia flácida da face, tronco, extremidades dos membros, língua, músculos da deglutição e oculares. A raiva segue com tremores generalizados, taquicardia e parada de respiração e morte.
Segundo Antônio de Oliveira Lobão a vacina antirrábica humana foi aplicada pela primeira vez em 1885, através do trabalho de Pasteur, sendo a vacinação preventiva e a vacinação de cães e gatos, uma rotina para qualquer um que tem animal de estimação e um serviço público. Não podemos esquece que em 2010, a vacina apresentou reações graves em vários animais, principalmente gatos e cachorros de pequeno porte, culminando em algumas mortes. Embora tenha havido uma mudança no método de fabricação e uma atenção maior por parte do ministério da saúde, novos casos foram registrados em 2012. A parte desses problemas que podem ocorrer, deve-se considerar que as campanhas de vacinações diminuíram consideravelmente os casos de raiva, chegando quase ao ponto de eliminação com a redução de 92% dos casos de raiva humana e 91% da raiva canina. Mas mesmo hoje muitas pessoas continuam sendo contaminadas (veja as estatísticas no Brasil) ao entrar em contato com a saliva de animais contaminados – não precisa ser pela mordida, um simples contato entre a saliva do contaminado e uma ferida, olhos e boca, pode ser o suficiente. As maiores incidências de raiva são nas áreas rurais das regiões nordeste, norte e alguns estados da região Centro-Oeste - cujo principal vetor é o morcego hematófago, embora a doença também possa ser disseminada por macaco, raposa e guaxinim. Atualmente uma cidade como São Paulo não registra a raiva há 30 anos, o que leva uma mobilização quando ocorrem casos como do gato morreu vítima do vírus da raiva em São Paulo .
A raiva é um dos problemas decorrentes de animais abandonados pelas ruas da cidade, e que não é de hoje. As autoridades se mobilizam para evitarem grandes problemas de saúde pública, uma vez que atingem diretamente a saúde do homem. Outras pessoas se preocupam com a qualidade de vida dos animais. Assim espero que possamos chegar a uma realidade boa para ambas as partes e que a fama do mês do cachorro louco fique como uma lembrança de tempos remotos.

Será o Phineas Gage dos tempos modernos?


Semana passada foi divulgado na mídia o caso de um operário da construção civil  de 24 anos que foi atingido vergalhão  - de três metros e da espessura de um dedo – p qual caiu do quarto andar de um prédio em construção. A barra de ferro entrou pela parte posterior do crânio e saiu entre os olhos. O rapaz foi resgatado consciente e a principal preocupação é uma eventual infecção ou a manifestação de qualquer sequela, uma vez que embora não tenha doído e o vergalhão tenha atingido partes não funcionais do cérebro - motivo pelo qual ele não perdeu os sentidos- houve perda de massa encefálica.
Na hora que vi esse caso me lembrei de Phineas Gage, um operário americano que em 1848 teve seu cérebro perfurado por uma barra de metal, enquanto dinamitava um rochedo para construção de uma estrada de ferro.  A barra entrou pela bochecha esquerda destruindo seu olho, atravessando a parte frontal do cérebro e saindo pelo topo do crânio. O operário podia falar e caminhar, sendo que depois de alguns problemas de infecção sobreviveu à lesão e se recuperou fisicamente. Embora Phineas tenha sobrevivido sem aparentes sequelas, apresentou uma mudança acentuada de comportamento, sendo objeto para estudos de caso muito conhecidos entre neurocientistas. Na verdade, Phineas transformou-se num homem de mau génio, grosseiro, desrespeitoso para com os colegas e incapaz de aceitar conselhos e de ter os mesmos planos para o futuro que tinha antes, passou a agir sem pensar nas consequências. O caso de Gage é considerado como uma das primeiras evidências científicas que indicavam que a lesão nos lóbulos frontais pode alterar a personalidade, emoções e a interação social. Antes deste caso os lóbulos frontais eram considerados estruturas não funcionais e sem relação com o comportamento humano.

domingo, 19 de agosto de 2012

Você é um vegetariano moral???... Os seus problemas estão resolvidos!!!


Ontem li uma notícia que boa parte dos protetores e defensores dos animais estava esperando há algum tempo... “projeto quer imprimir carne 3D comestível”. Na verdade a ideia é antiga, há muitos anos tem-se tentado a produção de carne de bicho, sem nunca ter feito parte do bicho. Como? Cultivo celular! Inclusive a Ong internacional PETA - que luta pelo direito dos animais - abriu um concurso de 1 milhão de dólares para quem conseguir e foi dada a largada!
Hopkins e Dacey publicaram um artigo cientifico abordando o tema com a utilização do termo “vegetarianismo moral”, se referindo àquelas pessoas que se consideram carnívoros desconfortáveis, pois embora se sensibilizem com o sofrimento dos animais durante o processo de produção, gostam muito de carne. Daí vem a questão: como consumir proteína animal que satisfaça tanto as necessidades fisiológicas quanto de bem-estar dos carnívoros e ao mesmo tempo permita a redução dos sistemas cruéis de produção animal, os danos ao ambiente e contribua para diminuição da fome no mundo? Em fevereiro de 2012 cientistas anunciaram que dentro de um ano seria possível obter bife (ou hambúrguer) de carne artificial in vitro. Houve desavença entre os diferentes grupos durante uma apresentação da AAAS (Associação Americana para o Progresso da Ciência), embora a ideia fosse oferecer uma alternativa com bom preço, sabor agradável e valor nutricional compatível com o da carne natural. A criação de animais para a produção de carne pode ser vista como uma técnica obsoleta e inimiga do ambiente, uma vez que é responsável por 1/5 das emissões globais de gases do efeito estufa além do excessivo consumo de água e alimentos.
A tecnologia da produção da Carne artificial - também conhecida como carne de laboratório ou carne cultivada ou ainda carne in vitro - está pronta para uso comercial e apenas precisa de apoio. A produção da carne in vitro se dá através do cultivo de células-tronco, de uma maneira similar à empregada com essas células para fins médicos. As células-tronco são extraías de músculos reais, então são cultivadas em laboratório em um coquetel de nutrientes compostos por açúcares, aminoácidos e minerais. Da mesma forma que os músculos humanos - essas células precisam de exercícios, os quais são obtidos através de estímulos elétricos, para que atinja a textura similar à carne de um animal. Para obtenção da cor vermelha, deverá ser adicionada mioglobina e então o resultado é misturado à gordura que também é cultivada em laboratório. Obviamente que o primeiro hambúrguer terá preço alto: 560 mil reais, mas que diminuirá bastante com aumento da produção, sendo que os idealizadores apostam que a produção de carne de laboratório poderia até mesmo ser mais barata que a carne comum.
A Empresa “modern meadow” pretende criar a bio-carne-impressa, ou seja, através da engenharia de alimentos, será criada uma tira de tecido coberta por 3 tipos de células (muscular e vegetal). Tudo isso para dar um ar "apetitoso" para a invenção. A tecnologia da impressão 3D  já foi usada para fabricar implantes médicos, tênis e armas.  O projeto, inscrito no Departamento de Agricultura americano, disse que o objetivo em curto prazo é criar um pedaço de carne equivalente ao tamanho de uma azeitona, logo A primeira fase do projeto desenvolverá pedaços de carnes minúsculos, o que pode significar que a produção em larga escala deste tipo de alimento ainda precise de mais desenvolvimento. Atualmente comemos carne de animais que foram domesticados mais facilmente, e esse é o limite entre o que é animal selvagem - portanto, não seria ético consumir - e o criado em larga escala para o abate. Sem a morte animal, até os vegetarianos mais ativistas poderiam comer um hambúrguer de panda sem culpa. Uma das questões é quão segura ela seria, deve-se considerar que células alimentadas por soro de cavalo, o produto final poderia estar contaminado com proteínas chamadas príons, extremamente perigosas à saúde. E, o problema ético continua alimentar carne sintética com produtos animais não excluí a matança da produção.
            Existem vários estudos paralelos que visam utilizar proteínas de plantas para produzir um bife análogo ao artificial. Outro grupo da Universidade de Amsterdã desenvolve carne alimentada por cianobactérias, as algas azuis, que extraem um alimento rico em aminoácidos, açúcares e gordura, importantes à célula animal. Mas a alternativa mais “diferente” foi a do O pesquisador japonês Mitsuyuki Ikeda que estudando uma forma de reutilizar a lama de esgoto de Tóquio desenvolveu um método de transformar produtos derivados de dejetos humanos em carne artificial. O alimento, que é produzido em laboratório, poderia ser menos calórico, uma vez que é composto por 63% de proteína, 25% de carboidratos, 3% de lipídios e 9% de minerais, além disso, passou no teste de  degustação por  voluntários que disseram que a carne artificial tem gosto de bife. Deve-se considera ainda outras alternativas para redução do consumo de carne de animais de grande porte através do consumo de insetos, algas e películas comestíveis.  




sexta-feira, 17 de agosto de 2012

IV Encontro LABEA

                                   Estão abertas as inscrições para o IV Encontro LABEA:

                                             http://www.labea.ufpr.br/eventos.html


domingo, 12 de agosto de 2012

Parabéns para todos os pais do reino animal...


Já dizia a propaganda: Não basta ser pai, tem que participar! Em todas as espécies em que o macho toma a difícil decisão de ficar e ajudar a cuidar da prole - o invés de desertar e continuar disseminando seus genes pelo mundo a fora – o seu papel é fundamental! Na verdade é o contrário: nas espécies em que a fêmea não dá conta de sozinha criar os filhos, o macho é coagido a ficar, caso contrário corre o risco de desperdiçar o seu valioso material genético. Quanto mais seguro o macho fica da paternidade, mais ele cuida das crianças, por isso é uma função tão comum em peixes, cuja fecundação é externa (veja o peixe palhaço cuidando dos filhos).
Em aves, quase 90% das espécies são monogâmicas – ressalvo que existe uma diferença entre a monogamia social e genética, e o acordo estabelecido pelos parceiros é ficar juntos até o filhote estar criado. Essa elevada porcentagem é decorrente da maioria das aves nascer muito prematura, ainda com olhos fechados e sem penas, logo dependente de alimentação e cuidados, por isso um dos pais precisa ficar no ninho enquanto o outro busca alimentos. Em aves, cujos filhotes nascem mais desenvolvidos como a galinha, o cuidado da mãe basta. Porém em algumas espécies é a fêmea que se manda assim que bota os ovos e deixa-os totalmente aos cuidados do pa como é o caso das Emas.
Nos mamíferos, a maioria das fêmeas dá conta do cuidado sozinha, e toca o macho logo depois da cópula. A amamentação torna alimentação facilitada e o fato dos filhotes da maioria das espécies já nascer desenvolvido, facilita a locomoção e os cuidados. Porém, em algumas espécies as mães e seus filhotes precisam de um cuidado maior e daí os animais se reúnem em casais ou haréns, em nome da sobrevivência da prole. Como nas aves, o acordo do casal termina até o filhote estar pronto, porém pode se estender caso emende um filho no outro.  Como nesse caso a mãe se encarrega da alimentação, o pai passa a ter uma função mais de guarda e social, relacionada com a aprendizagem e controle emocional dos filhotes. No caso dos saguis, o macho carrega um dos gêmeos, pois a fêmea não consegue dar conta dos dois. Já no caso dos leões, a maior parte da orientação comportamental do filhote é dada pela mãe, porém os filhotes que crescem sem brincar com os pais, têm problemas emocionais que comprometem as relações sociais como adultos.
A nossa espécie nem sempre foi monogâmica ou viveu em harém, porém, a necessidade de que o pai desse mais atenção a seus filhos, foi levando-nos a formar a família. Embora atualmente os pais têm sido muito mais presentes na educação e convivência com seus filhos, no início,  tinham uma função muito importante que era  ensinar aos filhos os limites, a hierarquia, como se posicionar no mundo, os valores e a controlar a suas emoções, promovendo um amadurecimento tranquilo, promovendo cada aprendizado a seu tempo e de acordo com as possibilidades de compreensão e necessidades do filhote. Como já falado no post anterior as pessoas atualmente estão com sérios problemas emocionais, não conseguem lidar com suas frustações e estão com complicados problemas de relacionamento. O mundo está conduzindo aos pais a acreditarem que trocarem meia dúzia de fraldas, dar uma boa escola, pagar natação, colocar num esporte, dar um presente por mês para compensar a ausência ou fingir que brinca com o filho só para tirar uma foto e colocar no facebook para pousar de bom pai para sociedade, basta! Mas não!!! pai de verdade sabe que a melhor e maior herança que pode deixar para seu filho é uma estrutura emocional sólida, e que ele se torne um adulto que saiba seu lugar e seu papel no mundo, saiba respeitar o próximo, ser solidário e cooperativo, saiba controlar suas paixões, raivas e frustações, e principalmente saiba ver a vida com otimismo e gratidão. Se seu filho tiver emoções equilibradas, ele saberá enfrentar qualquer problema, será o seu sucesso e o sucesso da espécie! É mais ou menos como o ditado de ensinar a pescar, ao invés de dar o peixe. Detalhe, isso dá trabalho... e as outras espécies que já se aventuraram pelas delícias e amarguras do cuidado paternal.. deixam a dica para os papais humanos!





segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Seleção Brasileira... Sinto muito informar, mas Emoção não ganha medalha!


Semana de Olimpíadas... o Brasil todo mobilizado, com a maior expectativa que seus atletas representem a Garra, a Coragem, o Determinismo, a União e o Otimismo do Povo Brasileiro e conquistem muitas medalhas! Mas..., supressa!! Um festival de emoções: medo, ansiedade, paixão (pelo namorado), choro, insegurança, saudade... É lindo ver as pessoas expressarem assim suas emoções, isso dá vida! Mas essa é a hora certa? Todos os comentaristas em todas as modalidades estão falando a mesma coisa: “nossos atletas têm preparo físico, mas não têm preparo para o controle emocional”. Esse fator é tão importante que a psicologia do esporte é uma área que está em pleno crescimento. Enfim, mas a questão a ser refletida aqui é o quanto o controle emocional nos faz humanos, pois justamente a falta de controle nos leva a exibir comportamentos instintivos e a categorizarmos a atitude como um tanto animal.
Vamos para os fatos... Nós tivemos nas Olimpíadas de Londres desde atletas que atribuíram o descontrole emocional, ao fato de nunca terem estado em uma olimpíada competindo com medalhistas -  como a nossa atiradora Ana Luiza Ferrão; tivemos aquele que sobe no pódio, mas chora por querer o outro e não o bronze – como nosso nadador Cielo;  também a atleta que levou o namorado para seu quarto na concentração e foi cortada das olimpíadas – como nossa jogadora de vôlei Iziane – nossa judoca que diminuiu diante da agressividade da rival; e por fim - a pior de todas - nossa esperança Fabiana Murer com salto em varas que simplesmente desistiu, justificando que viu que não iria se classificar mesmo, estava ventando muito, melhor parar a me desgastar. Ficamos todos atônitos vendo um atleta desistir da disputa. Se só os vencedores chegassem até o final da competição, com quem iriam competir? Os pais muitas vezes colocam seus filhos no esporte para aprenderem a competir de uma forma saudável, ou seja, se preparar para vencer, mas sabendo que em uma disputa um perde para o outro vencer! E o perdedor pode ser ele! Nas maratonas é muito comum vermos corredores chegarem cinco horas depois que a prova foi definida, apenas para terminarem o seu propósito, e não desistir por não serem os campeões.
Será que controle das emoções é algo exclusivamente humano? É o que se diz tanto nos conhecimentos acadêmicos, quanto nos populares e até mesmo as religiões pontuam muito bem o lado racional que o homem deve ter para deixar de ser humano e mais ser angelical....  Ao longo da evolução o ser humano sempre buscou o controle emocional, embora não seja fácil nem mesmo para nós, Os Humanos! É lógico que não queremos ter ao nosso lado o homem de lata, sem coração. Mas também não queremos ter aquele que se descontrola – seja com choro ou socos – diante das frustações normais da vida.  O controle das frustações e dos desejos é um desafio para todo aquele que vive em sociedade, pois quando dois ou mais indivíduos dividem seus espaços, deverão existir regras, e o limite de um começa, quando termina o do outro. E essa regra não é diferente para os outros animais. Imagine uma sociedade dos leões (veja o documentário), em que existe uma hierarquia extremamente rígida, onde apenas o Rei Leão acasala com as fêmeas e ele que se alimenta primeiro da caça. Imagina o que é ser um leão de baixíssima hierarquia? Você acha que ele não tem desejos pelas fêmeas no cio? Que não fica extremamente frustrado de se quebrar para caçar uma zebra, e comer apenas as partes que restaram de todos aqueles que tiveram o direito de comer primeiro? 
O que ele faz com o “instinto sexual” e com o “instinto de sobrevivência”? controla! Por que? Para continuar no grupo, pois para ele é mais importante ter um grupo que ofereça proteção e alimentação e seguir regras, do que fazer o que quiser e a hora que quiser, e não conseguir sobreviver. É a lei da selva! Por isso não saímos – ou pelo menos não deveríamos - por aí batendo tem todo mundo quando estamos com raiva, nem tampouco beijando todo mundo quando estamos carentes. Seguimos as regras e controlamos nossas emoções. E como os animais aprendem isso? Com o grupo, como os pais, com os irmãos. Existem estudos que mostram que assim que nascem os pintinhos já definem a hierarquia logo quando eclodem utilizando como parâmetros o temperamento dos irmãos. 
 O que vemos na nossa sociedade atual é uma falta de habilidade de lidar com as emoções, principalmente com as frustações. Daí quando algo que se tinha expectativa não acontecer, ou a pessoa se acaba de chorar, desiste do mundo, desiste da vida; ou sai matando as pessoas – toda hora vemos casos de assassinatos chocantes como do dono a Yoki. As empresas hoje procuram por profissionais que tenham mais inteligência emocional (veja o vídeo), do que potencial intelectual, pois não adianta nada empregar uma pessoa extremamente inteligente se ela não consegue conviver com os colegas, competir saudavelmente, e receber ordens - e as vezes broncas - do chefe.
            Mas o que levaria nossos atletas e serem tão emotivos? Seria o sangue latino? Talvez o propósito deles estarem nas olimpíadas seja ganhar a medalha para serem aceitos socialmente, desfilarem no carro de bombeiro e irem nos programas de TV. Daí, compreendo, a carga emocional envolvida, e a qualquer sinal que o “sonho” possa não se realizar, eles perdem o chão.  Porém, se o propósito é exercer a sua profissão, como deve ser o esporte para profissionais de nível olímpico, eles verão a medalha como resultado profissional, decorrente de uma construção através de treinos, estudos, concentração e metas. Daí ele saberá que nesse trabalho, apenas um ganha, e que o que não ganhou, não é perdedor, pois para chegar até lá, é por que já venceu de todos os outros esportistas no seu país.

domingo, 5 de agosto de 2012

E daí seu candidato? Os animais estão na pauta?


É claro que não! Pela primeira vez participei de um evento em que candidatos a vereador se reuniram para apresentarem suas propostas para promoção do bem-estar animal. Parabenizo o Curso de Medicina Veterinária da UFPR pela promoção do evento, assim como os 11 dos 700 candidatos ao cargo de vereador do município de Curitiba, que aceitaram o convite, mesmo não sendo a plataforma do seu programa. Na verdade não percebi a essência do Bem-estar animal, sendo que o foco de todo o evento foram os cães presentes nos centros urbanos. Nenhum dos candidatos se preparou efetivamente para o encontro e não mostrou de fato estarem inteirados com a causa. Eu também considero a situação dos cães abandonados um sério problema, porém não é apenas pelo fato de estarem mais evidentes, por causarem danos imediatos ao homem - seja por acidentes, mordidas ou transmissão de zoonoses – ou pelo fato de terem maior afinidade com as pessoas – que podemos esquecer todos os outros animais que estão sob a tutela ou poder de decisão do homem. 
A maioria dos candidatos falou que iria implementar um hospital veterinário público ou um posto de saúde animal, convênios com universidades, mais castramóveis -  evidenciando que como sempre as soluções para os problemas continuam sendo as profilaxias, ou resolver uma questão imediata que é o problema do homem e não dos animais. Outros, embora afirmassem que não tinha uma ligação direta com a causa, contaram que gostavam de cães, tinham adotado animais abandonados, que no bairro de sua mãe percebiam que tinham pessoas pobres que não tinham como pagar veterinário, ou não conseguiram segurar um choro doído de quem acabou de perder um cachorro de estimação de 15 anos há poucas horas. Um candidato se lembrou dos animais de circo, outro dos cavalos dos carrinheiros e por, fim, dos animais usados para esporte. Temas mais polêmicos relacionados com produção, uso de animais em entretenimento, rituais religioso e zoofilia, nem passaram pela mais remota imaginação deles. 
Eu destaco duas candidatas, uma é a Fabiana, que é protetora de animais e pontuou muito bem o papel da educação para guarda responsável, eu concordo plenamente, qualquer medida que não envolva mudanças de paradigmas e que exija uma reflexão ética da sociedade, não terá impacto na mesma. E - a já vereadora - Profa. Josete, pois além de afirmar sinceramente que o bem-estar animal não faz parte do seu projeto de trabalho – embora seja bióloga e que estava ali mais para ouvir do que para falar – apontou para os eleitores que um vereador sozinho não consegue nada, é preciso que a causa seja um consenso, e as leis devem surgir de uma necessidade social, como pontuou Carlos lima, usando o termo sustentabilidade urbana. Essa necessidade está clara para qualquer observador da nossa sociedade, como também é claro que essa não é a prioridade de nossos políticos. É lógico que estamos longe do ideal, mas se ainda não encontramos uma solução perfeita – que nós biólogos sabemos bem qual é – vamos somando as pequenas vitórias como: a mobilização dos veterinários para questão de controle populacional e de zoonoses, a mobilização das Ongs e dos protetores independentes, a elaboração de uma solicitação para o aumento da verba destinada para causa, o grupo de pessoas que foi no encontro hoje procurando em outras pessoas se sentir menos solitária nesse olhar para os outros animais que compõe a fauna urbana, mas não vamos esquecer de todos outros animais!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Bem-estar animal é o tema de debate entre candidatos a vereador


Imagem: Fernando Gonsales
Pela primeira vez em Curitiba, os candidatos a vereador vão debater o tema bem-estar animal, no sábado, dia 04 de agosto, às 14 horas, no anfiteatro do Hospital Veterinário. O evento é organizado pelo Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná.
Segundo o professor Alexander Biondo, trata-se de tema importante, com demanda social crescente. “Nós da UFPR precisamos ficar atentos ao barulho da rua, entrarmos em sintonia com estas demandas e sobretudo provermos respaldo técnico para suas ações”, destaca o professor.
Vários candidatos à eleição e reeleição já confirmaram presença. É esperado também um grande número de representantes de Organizações Não Governamentais (ONG) de Proteção Animal, bem como de pessoas que acreditam ser o bem-estar animal um tema de alta importância em Curitiba. Recentemente, o vereador Galdino entrou com um pedido de 0,08% da receita do município para o manejo e proteção animal na câmara de vereadores de Curitiba, percentual que hoje Porto Alegre destina aos animais, mas foi rejeitado.
Serviço:
Dia 04 de agosto de 2012, às 14 horas
Debate entre candidatos a vereador de Curitiba pelo bem-estar animal
Local: Anfiteatro do Hospital Veterinário, campus Agrárias da Universidade Federal do Paraná, Rua dos Funcionários 1540, Juvevê
Contato: Professor Alexander Biondo, do Departamento de Medicina Veterinária da UFPPR (abiondo@ufpr.br).

Mais informações: clique aqui