domingo, 26 de abril de 2009

Inveja - Boa? Má? Necessária?


A inveja é um dos 7 pecados capitais (aliás, o sexto, localizado entre a ira e a inveja) e considerada como um verdadeiro veneno social. Dizem que tanto quem sente quanto quem é o alvo da inveja, são prejudicados. Não há quem não saiba o que é sentir ou despertar inveja. O que já se sabe sobre a inveja? Qual sua origem e o seu papel social?

A inveja pode ser definida como um ressentimento hostil que uma pessoa sente em relação a alguém que tem algo que ela quer - material, físico ou psicológico. A inveja é vista por alguns como um vício - muitas vezes inevitável, mas raramente desejado - pois reflete uma determinada inferioridade intermediada por uma certa maldade. Segundo Richard H. Smith, professor de psicologia da Universidade do Kentucky "A inveja é corrosiva, feia, e pode arruinar sua vida". "Se você é uma pessoa invejosa, é difícil apreciar muitas das coisas boas que estão por aí, pois você está ocupado demais se preocupando sobre como elas se refletem em si próprias" (http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1017836-5603,00.html). Segundo O filósofo Schopenhauer sentir inveja é humano, gozar do infortúnio dos outros é diabólico, porém se analisarmos determinados comportamentos apenas sobre o viés moral, ficamos impedidos de enterdermos o “por que” a natureza fixou esse padrao comportamental.

Inveja ou Ciúme?... a Etologia

Algumas vezes a inveja é confundida com ciúmes, porém o ciúme corresponde a uma relação em triângulo, uma vez que ao ver seu amado flertar com outra pessoa numa festa, uma mulher teme perder pede-lo. Já a inveja é uma relação entre duas pessoas, e embora seja incansável e gregária, é democrática, uma vez que toda pessoa que vive em sociedade presta atenção ao status, a quem está indo bem e quem não está, e avalia a sua auto-imagem em comparação a outros. A inveja normalmente ocorre entre iguais - sexo, idade, classe e currículo (um mecânico inveja um mecânico) – embora seja socialmente menos repugnante se desejar o inalcançável (um mecânico pode desejar ser como o milionário).
(http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1017836-5603,00.html)

Ao analisarmos o comportamento de um animal social e hierárquico, vemos que a competição leva a geração de sentimentos de identificação com outros membros do grupo resultando em alianças. Porém, é obvio que esses mesmos motivos podem estimular sentimentos como a inveja e até mesmo satisfação com o infortúnio dos outros. Os evolucionistas associam à inveja pontos positivos como a persistência e universalidade, sua fixação com o status social e o fato de coexistir com a vergonha e um profundo papel social. A inveja poderia ajudar a explicar por que os humanos são comparativamente menos hierárquicos que muitas espécies primatas, mais inclinados a um igualitarismo e a se rebelar contra reis. Segundo Ricardo Teixeira do Blog Consciência no dia a dia “O comportamento animal é recheado de atributos competitivos como a disputa por território, parceiros sexuais e alimentos. A neurociência têm-nos mostrado que não somos tão diferentes assim e cada um de nós carrega diferentes graus desses instintos arcaicos. Desde que bem dosados, ciúme, interesse pela vida alheia, inveja e prazer com o infortúnio dos outros, não devem ser vistos como sentimentos que devem ser reprimidos a todo custo. Todos eles fazem parte de um grande repertório que colaborou sobremaneira para o sucesso da espécie, e ainda deve colaborar em certo grau”.
http://consciencianodiaadia.com/2009/03/22/a-inveja-e-o-prazer-na-ma-sorte-dos-outros-podem-ser-consideradas-normais/

Pesquisas atuais...

Os caminhos evolutivos e neurais que levam à inveja estão começando a serem desvendados. Um dos pontos relacionados à inveja é a sensação de "schadenfreude" - termo alemão para o fato de sentir prazer quando aqueles que você inveja são levados à lona. Matthew D. Lieberman, do departamento de psicologia na Universidade da Califórnia, compara a relação da inveja com o schadenfreude com a fome e a sede, pois quanto mais fome ou sede você sente, o mais prazeroso será quando você finalmente beber ou comer.

O avanço das neureociências já permitiram à Pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência Radiológica do Japão identificarem a região do cérebro responsável pelo sentimento de inveja (estudo publicado American Journal of Science). Na experiência realizada os participantes – que tiveram seus cérebros monitorados por aparelhos de ressonância magnética - foram convidados a imaginar uma situação real com pessoas mais capazes e inteligentes do que eles. Quando admitiram sentir inveja, foi detectado que o córtex dorsal anterior do cérebro ficava mais ativo, sendo a mesma área relacionada à dor física e à dor mental.

Por outro lado, outra região do cérebro - o corpus striatum, que é associado a sentimento de alegria ao recebermos um prêmio - também era estimulado quando as cobaias liam um capítulo que descrevia problemas com outras personagens. Segundo os pesquisadores pode-se concluir que pessoas invejosas sentem mais prazer com a desgraça alheia.
Outro recente estudo conduzido por pesquisadores israelenses - Universidade de Haifa – veirificou a relacao entre lesões cerebrais nas regiões frontal e parietal com a diminuição da capacidade de perceber inveja ou prazer. A lesão do lado direito do cérebro resulta em mais dificuldade em perceber situações com contexto de inveja enquanto aqueles lesões do lado esquerdo apresenta mais dificuldade situações em que havia prazer com o infortúnio alheio. Teoricamente, esses mesmos indivíduos há uma dificuldade em modular seus próprios sentimentos de injeja e prazer no infortúnio alheio. Lesões cerebrais nas mesmas regiões frontais já foram associadas a comportamento social inapropriado, menor desempenho executivo, menor capacidade de arrependimento, ciúme patológico, e até mesmo a sociopatia.
A descoberta poderá ajudar os profissionais da área de saúde a lidar melhor com pessoas que sofrem do problema, uma vez que segundo Hidehiko Takahashi "A inveja pode levar uma pessoa a praticar um ato destrutivo e até criminoso para conseguir o que deseja" Apesar das novas descobertas serem preliminares a pesquisa lança uma luz sobre uma poderosa emoção negada e ridicularizada, e muitas vezes ignorada. Há quem relacione a grande parte da recente crise econômica à inveja fugitiva, à medida que financistas competiam para evitar a vergonha de ser um "mero" milionário.
Quer saber mais?

(http://opiniaoenoticia.com.br/vida/ciencia/japoneses-identificam-regiao-cerebral-da-inveja/
BBCBrasil.com http://www.redepsi.com.br/portal/modules/news/print.php?storyid=5142) http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1017836-5603,00.html
http://cerebromente.blogspot.com/2009/03/ver-alguem-que-voce-inveja-levar-pior.html) http://consciencianodiaadia.com/2009/03/22/a-inveja-e-o-prazer-na-ma-sorte-dos-outros-podem-ser-consideradas-normais/ http://cienciaesaude.uol.com.br/ultnot/2009/02/24/ult4477u1385.jhtm
http://www.portalsaude.org/site_v01/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=314
http://www.iconocast.com/B000000000000153_Portu/U3/News3.htm



E os animais? Eles sentem inveja????

A inveja é um sentimento que se relaciona com animais sociais, pois envolve a avaliação do que o outro tem de diferente. Logo, pode-se esperar que animais – como primatas, cães, golfinhos – que vivem em sociedades complexas e que haja um sistema hierárquico apresente formas de inveja. Frans de Waal, do Yerkes National Primate Research Center em Atlanta autor do livro “Eu, primata” (ver lista ao lado) relatou que os macacos eram felizes em trabalhar por fatias de pepino, até que uma pessoa passou a dar recompensas melhores, como uvas, a um dos macacos. Então os outros pararam de trabalhar por pepino e começaram a criar um rancor. Segundo o pesquisador "A emoção primária é provavelmente a inveja ou o ressentimento". Podemos traçar um paralelo com uma criança que passa a ter um irmão. (http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1017836-5603,00.html)

Segundo Friederike Range, da Universidade de Viena, Cachorros podem farejar situações injustas e apresentar uma emoção simples similar à inveja ou ciúmes. Cães zangaram-se e recusaram-se a “cumprimentar” outros cachorros que ganharam prêmios, caso eles não ganhassem também. O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, também mostrou que os cachorros se lambem ou se coçam e agem de modo estressado quando se vêem sem os prêmios dados a outros cachorros.

Ao se colocar dois cães lado a lado e premiados de forma diferente, o estudo mostrou que cães de diferentes raças caso não sejam premiados lamberam a boca, bocejaram, coçaram-se, mostraram outros sinais de estresse e pararam de executar a tarefa. Se o cão estivesse sozinho cooperavam por mais tempo antes de parar. Segundo o pesquisador esse teste confirma que a resposta do cão diz respeito à distribuição desigual da recompensa, uma vez que se fosse apenas frustração iriam parar ao mesmo tempo.

http://rizzolot.wordpress.com/2008/12/08/cachorros-demonstram-inveja-e-ciume-diz-estudo/ http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL915252-5603,00-CACHORROS+SAO+CAPAZES+DE+SENTIR+INVEJA+AFIRMA+PESQUISA+AUSTRIACA.html http://cienciahoje.uol.com.br/134193

Um comentário:

  1. Amanda Weber Cavalero30 de abril de 2009 16:31

    É estranho pensar que um sentimento que faz tanto mal tanto para quem sente quanto de quem se sente possa ter um caráter "biológico".
    Além do mais sempre aprendemos como a inveja pode ser destrutiva, o que em parte é produto da doutrina religiosa.

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