quinta-feira, 5 de março de 2009

A pílula do amor????


O termo a “pílula do amor” já foi usado para designar um remédio, o Viagra e uma droga, o ecstasy. Agora voltou a ser utilizado como uma nova possibilidade de medicamento que pode desencadear esse sentimento mágico e único que é a paixão. Leo Jaime na década de 1980 já sonhava com a tal fórmula do amor, mas agora parece que ela está mais próxima. O assunto é extremamente polêmico. Enquanto os noticiários anunciam o fato como algo fantástico que vai melhorar a vida dos cidadãos comuns, salvando os tímidos solitários e os casamentos fracassados, outro segmento da sociedade assiste boquiaberto a ousadia do bicho homem... não se contentado em descobrir como funciona seu fabuloso organismo, e a partir disso poder compreender e preservar a diversidade, ele quer c o n t r o l a r.... ual! Vamos, então refletir sobre os fatos...

Somos monogâmicos?????

Um dos pontos polêmicos sobre o comportamento humano é se realmente somos monogâmicos ou não... Existem muitas teorias, hipóteses, sugestões de como teria ocorrido a evolução do comportamento reprodutivo humano, que já gerou muita polêmica e muitos livros (veja algumas sugestões ao lado). Um dos pontos de vistas é que o ser humano no início da sua jornada evolutiva neste planeta era promíscuo. Essa era uma estratégia interessante, principalmente em sociedades em que a hierarquia do macho é importante. Se todos copulam, com todas as fêmeas, nenhum macho tem certeza se os filhos são seus, como existe uma possibilidade de serem, eles cuidam das crianças como se fossem suas. Assim, quando um novo macho assume o poder, ele não irá matar as crias do seu rival, pois essas podem ser suas. Com o tempo a união em casal acabou por favorecer o desenvolvimento da cria, a fêmea passou a dar mais segurança para o macho de que o filhote era dele e assim ele passou a cuidar da cria com mais zelo. A monogamia existe quando a sobrevivência da cria depende do casal. No entanto, o casal não precisa ficar junto a vida toda, mas apenas até o filhote crescer. Mesmo assim algumas espécies formam casais para vida toda, outros apenas durante uma estação reprodutiva e outros ficam separados fora da estação reprodutiva e se unem somente na época da reprodução. Para os humanos em que as crianças nascem muito frágeis e dependem do adulto por muitos anos até que esteja apta a se virar sozinha, essa união deve ser mais longa.

O que se questiona é que mecanismos biológicos proporcionaram a mudança do comportamento de promiscuo para monogâmico, ressalvo aqui que monogamia não é sinônimo de “fidelidade” no sentido que não copular com outro ou outra, mas sim fidelidade ao contrato de que ficariam juntos até o filhote ser capaz de se virar sozinho e ter sua própria família... Mas esse é outro assunto...

Os personagens principais dessa história são os hormônios conhecidos a algum tempo, em especial dois, a Oxitocina e a Vassopressina...

Oxitocina... hormônio do amor

Hormônio produzido no hipotálamo e armazenado na hipófise posterior (neuro-hipófise) e conhecido como hormônio do amor e dos vínculos afetivos. O objetivo da oxitocina é enviar mensagens a neurônios localizados na amígdala, responsável pelas emoções e comportamento social. Nas mulheres esse hormônio existe em grandes concentrações e caracteriza o lado emocional mais pronunciado. A oxitocina é naturalmente produzida quando uma a fêmea vê um filhote com seus grandes olhos e testas ou, na espécie humana, simplesmente quando fala, uma vez está associado à conexão verbal-emocional. Se a mulher tem algum problema, ao falar dele, o corpo produz a oxitocina que acaba diluindo-os. Na mulher também a oxitocina tem um papel fundamental no parto, pois promove as contrações do útero (é usado como medicamento para indução do parto), também estimula a produção do leite juntamente com a prolactina - que também favorece a produção de lágrimas e a tendência de mulher relacionar emoção com choro. Obviamente após o parto o corpo da mulher está inundado de oxitocina favorecendo a criação do vínculo afetivo entre mãe e filhote e faz com que a mãe sinta um amor enorme por ele. A oxitocina também aparece, junto com a serotonina, nos cérebros dos apaixonados e nas pessoas relaxadas, uma vez que inibe hormônios ligados ao estresse, como o cortisol. A produção de oxitocina também inicia um círculo que estimula a geração da confiança. O neurocientista Thomas Baumgartner e sua equipe da Universidade de Zurique na Alemanha fizeram vários estudos, entre ele a aplicação de um spray nasal de oxitocina em pessoas tipo de fobia, como timidez no convívio social ou trabalho, verificando o aumento de confiança, disposição e desinibição.

Vasopressina... hormônio da agressão

A vasopressina é um hormônio produzido por células nervosas do hipotálamo e secretada pela neurohipófise (porção posterior da hipófise).O hormônio antidiurético (HAD, em inglês ADH), é secretado quando o corpo está com pouca água; para conservá-la, concentrando e reduzindo o volume da urina, aumentando a pressão sanguínea ao induzir uma vasoconstrição moderada. O corpo do macho produz mais testosterona e vasopressina. A primeira está associada ao sexo e agressão, a busca de poder social, ambição e independência. A vasopressina associa-se a territorialidade, hierarquia, competição e persistência. A vasopressina é uma substância química relacionada à agressão encontrada na amídala e no hipotálamo, regulador hormonal do sistema límbico. Durante as carícias preliminares, essa substancia química é secretada nos homens, assim quanto mais elevado o nível, mas o homem deseja a mulher (na mulher o efeito é contrário). Durante o orgasmo o nível de oxitocina do homem dispara e se aproxima dos níveis femininos, criando um laço afetivo absoluto, mesmo que por alguns instantes. Nesse instante os níveis de testosterona e vasopressina - que possibilitaram a ralação sexual – abaixam significativamente. A sensação da oxitocina é tão boa, que faz com que o homem deseje mais o sexo do que a mulher e é a maneira mais rápida para um homem criar um laço afetivo com uma mulher. Apesar do vínculo ser transitório, pode se tornar permanente.

A Pesquisa...

O Dr. Larry Young, na Universidade de Emory, Georgia encontrou uma relação entre os hormônios e a estimulação da área de recompensa do cérebro (área responsável pelo prazer e pelo vício), caso se concentre mais nessa área os vínculos afetivos serão mais efetivos. Seus estudos com roedores evidenciaram que animais que recebem injeções de oxitocina e vasopressina criam vínculos mais fortes. Apesar do pesquisador enfatizar a relação entre a genética e o ambiente na produção e recepção dos hormônios, ele sugere a possibilidade de criação de uma pílula do amor, que poderia ser útil para facilitar o envolvimento com outras pessoas, embalar ou resgatar relacionamentos. Ainda coloca a possibilidade de ter um antídoto, caso a pessoa tenha uma paixão não correspondida.

A questão...

O que deve ser questionado é a perda da diversidade... a cada geração vemos a diversidade diminuir, seja nas florestas ou na nossa própria espécie... ao criarmos drogas que acabam com a tristeza, drogas que acabam com crianças sapecas e drogas que acabam com parceiros infiéis nós estamos homogeneizando cada vez mais... daqui a pouco será um planeta de uma espécie só (obviamente o Homo sapiens) e mesmo assim tudo igual... tomando remédios que façam com que os comportamentos sejam previsíveis e isso possibilite a segurança do que virá no futuro... E será que esse bicho-homem está perdendo o controle do controle que quer ter sobre a natureza, os animais, os genes...? E a nossa diversidade? A evolução nos dotou de uma série de padrões comportamentais, os quais favoreceram nossa sobrevivência individual e da espécie. Se hoje temos machos zelosos, que dão a vida para ajudar a parceira a cuidar da cria, é porque esse comportamento permitiu a criação de muitos pais zelosos. Porém dentro do reino animal, temos muitos exemplos de machos e fêmeas não tão fiéis assim... são fiéis no contrato natural estabelecido para criação da prole, mas na primeira oportunidade dão uma pulada de cerca para garantir a colocação de mais material genético no ambiente (machos em busca de quantidade – principalmente se for a mulher do vizinho e ele possa criar seus filhos) ou seja em busca de garantir um melhor material genético (fêmeas em busca de qualidade – traindo quando aparece a oportunidade). Tem os bons pais provedores, tem os bons pais com bons genes... a natureza modelou esses e milhares de outros padrões em busca da diversidade! E se eles estão presentes até hoje é porque funcionou como estratégia de sobrevivência nas duas situações.... E você? O que acha disso tudo??? Sugiro a leitura do livro “O mito da monogamia”

2 comentários:

  1. Giovanna Amanda Presa11 de março de 2009 16:00

    Não somente a pílula do amor, mas assim como, antidepressivos e outras drogas, têm nos limitado como espécie em busca da diversidade. É imoral certos comportamentos humanos, é questionável o desejo incontrolável de estar sempre controlando. Estamos indo além sem previsão de volta.

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  2. Amanda Weber Cavalero31 de março de 2009 16:57

    Creio que esquecemos do lado benéfico de nossos sofrimentos.
    A tristeza,a desilusão,a perda ensinam e tornam-nos melhores enquanto seres humanos.
    Entretanto, os avanços que possiblitaram o surgimento de antidepressivos,por exemplo, são excelentes porque alguns de nossos problemas são de cunho físico, de dificiências hormônais, etc.
    Portanto a generalização não cabe neste questionamento, mas sim o bom senso.

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