sábado, 25 de junho de 2016

O Amargo fim de um doce Rio




Marta Luciane Fischer, Douglas Rocha e Renata  Bicudo Molinari

Há seis meses o mundo presenciava, em tempo real, um dos maiores desastres ambientais do Brasil. A apropriação de um rio por um tsunami de 2 milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos de mineração, que devastou comunidades humanas e ecossistemas, deixando centenas de moradores desabrigados, 19 vítimas humanas fatais e milhões de vítimas florais e faunísticas. Conforme o mar de lama seguia até o mar, nossos gestores pareciam torcer para que fosse comprovado um precedente abalo sísmico, para que toda a lama se diluísse antes de chegar aos manguezais, para que a infalível medida mitigatória desse certo ou ainda, para que outro acontecimento impactante invadisse os noticiários e enaltecesse o estarrecimento da população. A lama invadiu o mar, se pavimentou o fundo do rio matando organismos bentônicos e desoxigenou a água, asfixiando os planctônicos. Ambientalistas e simpatizantes choraram genuinamente por um acidente que denunciava a morte de um Rio ou, com muito otimismo, um estado de coma que poderia durar décadas. O Posicionamento quase que indiferente do Governo, a atitude apática da Empresa e a acomodação da população foram tão doloridas e revoltantes quanto o acidente em si. Personalidades nacionais foram ofuscadas por celebridades internacionais que clamaram pela punição chegando a doarem seus caches.

O impactante desastre de Mariana não deve ser visto como um fato isolado, é apenas um termômetro, um indicativo da idoneidade de nossas condutas com relação à natureza. Como toda questão bioética, se constitui de um problema complexo, que envolve muitos agentes morais que tomam decisões pautados em valores e princípios que não refletem a totalidade dos seres vivos. Há mais de 40 anos, cientistas como Van Rensselaer Potter veem alertando a humanidade que ela precisa olhar a natureza com mais cuidado, precação, responsabilidade, alteridade, e principalmente, se compreendendo como apenas mais um desses elementos.

Parece que quando os acontecimentos são noticiados na TV ganham um ar de virtualidade ou irrealidade e, em uma sociedade líquida, a necessidade de notícias novas diluem a indignação e o ímpeto de justiça. Além disso, a paradoxal distância entre o cidadão e os fatos dificultam a sua inserção na problemática e obviamente a compreensão dos culpados. Contudo não devemos nos eximir de nossas responsabilidades, seja ao consumirmos de maneira inconsciente e irresponsável, alimentando a exploração dos recursos naturais como se fossem infinitos, ou clamando por produtos cada vez mais baratos, estimulando que as empresas procurem compensar o custo no manejo ambiental. A população ainda detém uma atitude compassiva com relação à gestão do bem-comum pelo Estado. Obviamente que, em uma sociedade, dividimos as tarefas e endossamos, por meio de nossos impostos, que o governo se responsabilize por algumas delas. Porém se nos omitimos das decisões, consequentemente, seremos corresponsáveis. Como devemos fazer isso? Devemos trabalhar em consonância com a gestão pública, participar das decisões e tomar parte da nossa responsabilidade, sair do comodismo e ter um protagonismo crítico. Nos parece que cada vez mais o mundo precisa de uma nova ferramenta que subsidie a resolução dessas questões complexas, plurais e globais, que intermedeie o diálogo entre os inúmeros agentes, que hora são pacientes morais, hora se veem extremamente vulneráveis. A Bioética Ambiental e seu caráter deliberativo, inserida em Comitês que congreguem todos os setores da sociedade envolvidos, traz uma esperança de retomar o equilíbrio e a harmonia na relação entre os homens e a natureza, como era no início.

Por que o espanto? O King Kong sempre morre no final


Marta Luciane Fischer

O mundo presenciou na última semana em tempo real a morte de Harambe um gorila de 17 anos nascido e criado no Zoológico de Cincinnati, EUA. A difícil e lastimável decisão de abater o animal se deu em decorrência de uma criança ultrapassar barreiras e cair de uma altura de cerca de 3m em um recinto que abrigava três gorilas. A inacreditável, inverossímil e imprevisível cena de uma criança de quatro anos arrastada por um gorila de 181kg foi presenciada por um público atônito por cerca de 10 min. Os vídeos expressivamente compartilhados e analisados por primatólogos atestam Harambe não mostrava indicativos de que iria atacar, corroborando com outros casos similares. Os gorilas estão ameaçados de extinção, estimativas indicam que existam cerca de 4.000 indivíduos em vida livre. É um animal lindo, forte, imponente, não deixando dúvidas de que foi uma difícil decisão para equipe do zoológico, e embora o questionamento mais frequente tenha sido o fato de não ser utilizado tranquilizantes, os profissionais atestam que a anestesia demora para fazer efeito, além do susto aumentar o estresse e poder acarretar em uma situação ainda mais trágica. Imediatamente após a morte de Harambe o meio digital e televisivo presenciou uma exorbitante mobilização social atestando o luto pelo primata e divulgando uma petição, que já consta com milhares de assinaturas, solicitando que os pais da criança sejam responsabilizados criminalmente pelo fato de não supervisionarem seu filho, que expressou o desejo de entrar no poço. Por mais incrível e cinematográfica que a situação possa parecer, não é rara, no Paraná tivemos o caso do menino que teve seu braço arrancado por um tigre. Mas será que é possível apontar um culpado apenas? Ou assim como qualquer tragédia existem uma sequência de erros negligenciados? Obviamente que os pais têm uma parcela de responsabilidade aditivada pelas novas concepções intrínsecas à sociedade liquida, cada vez mais afastada da natureza e do comunitário. Obviamente que o zoológico tem uma parcela de culpa ao expor um animal perigoso sem se precaver de meios mais seguros e menos invasivos já adotado por zoológicos modernos que dispõem de barreiras de vidro unidirecionais. Obviamente que os aspectos culturais têm uma parcela de culpa ao reivindicar centros de entretimento que oportunize o convívio com a natureza cada vez mais distante do dia-a-dia. Obviamente que a sociedade tem sua parcela de culpa ao não se inserir no contexto como protagonista de uma situação que diz respeito a todos os cidadãos. O que não deve ocorrer é a reflexão parar no caso específico, mas que traga à tona questões que há muito tempo demandam de uma a ação mais efetiva. Os limites éticos na utilização dos animais para entretenimento é uma questão complexa, global e plural que requer a construção de uma ponte promotora de um diálogo, no qual os argumentos de todos os atores sejam ouvidos e uma solução justa seja alcançada. Os princípios éticos na relação do homem/animal, ainda embasam uma ética utilitarista, na qual aceita-se o uso de animais para finalidades fundamentais para sobrevivência humana e para as quais não existem alternativas, e ainda, buscando desenvolver tecnologias que permita atestar, monitorar e promover as melhores condições possíveis de bem-estar animal, eximindo-o de qualquer procedimento que cause dor ou sofrimento.  Olhando por essa ótica, a exposição de animais em zoológicos, pelo menos da forma que a maioria das instituições estão estruturadas, estão mais de acordo com uma ética antropocêntrica, que coloca o interesse das pessoas em presenciar e interagir com animais selvagens, como mais importante do que o direito do que a liberdade e o bem-estar do animal. 

Corrupção Policial... Chama a Polícia?


Série Ensaios: Sociobiologia



Por Bruna Carolina Linhares; Patrícia Cristina da Costa Ferreira; Paulo Vaccari Neto; Publio Bonin Junior; Rafael Xavier Weiss

Acadêmicos do curso de Ciências Biológicas



“A megainvestigação do Ministério Público sobre a facção que atua dentro e fora dos presídios flagrou 18 casos de corrupção envolvendo policiais civis e militares. O secretário da Segurança Pública, Fernando Grella, determinou nesta quarta-feira (16) a apuração das suspeitas de cobrança de propina para favorecer ladrões e traficantes de drogas.

Dois volumes da investigação detalham conversas telefônicas entre criminosos e duas ligações entre policiais e bandidos. Mais de 30 policiais são citados nas gravações cobrando propina e extorquindo dinheiro de criminosos. Os 18 casos envolvem seis policiais militares e 12 policiais civis.”

A reportagem supracitada é apenas um exemplo de casos de corrupção envolvendo policiais. A corrupção policial é um fenômeno de crescente visibilidade em todo o Brasil. As condutas indevidas são uma ameaça permanente e latente na polícia. Os policiais cotidianamente a diferentes situações que geral decisões rápidas, onde o profissionalismo e os valores são colocados a prova.

Todos sabemos que a polícia brasileira nem sempre desempenha adequadamente sua função de proteger o cidadão. Aliás, de uns tempos pra cá, os casos de policiais envolvidos em crimes tem aumentado. A situação é tão grave que, em algumas comunidades, as pessoas confiam mais nos bandidos que na força policial.

É disso que trata o filme Tropa de elite, lançado por José Padilha* em outubro deste ano. A película mostra a guerra entre o Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) e os traficantes que dominam as favelas cariocas. A história é sobre as dificuldades enfrentadas por dois policiais novatos e bem-intencionados que fazem parte de um grupo consumido pelo estresse do dia-a-dia do trabalho policial, pelo descaso à vida do outro e pelo envolvimento de vários de seus membros em crimes que deveriam combater.

Para Marcos Bretas, historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que estuda o funcionamento da polícia no Brasil há mais de 20 anos, é preciso lembrar que há dois tipos de corrupção policial: um deles é a prática do suborno, feita por muita gente, que dá um "presentinho" ao policial quando comete uma infração de trânsito ou algo parecido. O outro modo de corromper é realizado quando alguém paga para poder continuar cometendo um crime, como nos casos em que os policiais recebem dinheiro para acobertar ou mesmo participar de esquemas envolvendo jogo ilegal, pirataria, tráfico de drogas, entre outros. O historiador avalia que "o primeiro tipo é muito ruim. Mas o segundo é terrível. Ambos vêm de muito tempo, e o triste é que as pessoas se acostumaram a isso. Tudo serve como desculpa para a prática da corrupção, inclusive o baixo salário dos policiais."

Para especialistas, o maior problema é que a tolerância dentro das corporações – e da própria sociedade – alimenta a corrupção. "A tendência é considerar a corrupção como parte natural das coisas, como um custo que temos de pagar se quisermos ter melhor prestação de serviços. Claro que isso é um erro grave", diz Luís Antônio Francisco de Souza, coordenador do Observatório de Segurança Pública da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A corrupção pode ser vista como  uma forma de parasitismo social, combinado com a predação. Corruptores e corrompidos colaboram entre si como os parasitas/predadores; o hospedeiro/presa do qual se alimentam é a sociedade. O corruptores para não serem descobertos; se disfarçam, camuflam, enganam, dissimulam e aplicam estratagemas e táticas de ação engenhosas e às vezes criativas (Ribeiro, M.A.)

Segundo o psicólogo Dan Ariely, da Universidade Duke, autor de pesquisas sobre desonestidade, a motivação para a corrupção vem da crença de que "todas as outras pessoas estão sendo corruptas" e da aceitação deste comportamento como "a forma como as coisas são feitas".

"Se você for a um restaurante e sair sem pagar a conta, você vai se sentir mal com isso. Mas, quando você se envolve com corrupção, você fala 'isso é só como as coisas são'. A corrupção é muito corrosiva, muito perigosa", diz.

Segundo Ariely, a única forma de cortar a motivação para a corrupção é adotar uma mudança coletiva.

Durante o debate realizado em sala, demonstramos que a corrupção faz parte também das corporações policiais, organização que deveria nos proteger, por isso, como formandos de biologia acreditamos que não deve-se ter um pré-conceito acreditando que através da identificação de uma farda uma pessoa seja considerada de bom caráter. Também, que não devemos compactuar sendo corruptos em situações que envolvam pagamento de propina a policiais, ou até mesmo no simples ato de não devolver o troco a mais, ou deixar de pagar a conta no restaurante. A corrupção começa em casa, e é possível combatê-la, educando e fazendo diferente.





O presente ensaio foi elaborado para a disciplina de Etologia tendo como base as obras:

BARBOSA, B. Por que a corrupção é tão tolerada? Disponível em: < http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2016/04/25/por-que-a-corrupcao-e-tao-tolerada.htm>

RIBEIRO, M.A. Ecologia, corrupção e ética. Disponível em: < http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=1263#.V2q7JfkrLIU>



DE OLIVEIRA, Ricardo Monezi Julião. Avaliação de efeitos da prática de impostação de mãos sobre os sistemas hematológico e imunológico de camundongos machos. 2003. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.



DO NASCIMENTO, Andréa Ana. A corrupção policial e seus aspectos morais no contexto do Rio de Janeiro. SEGURANÇA PÚBLICA, p. 70.

Até onde vai o prazer na corrupção?


Série Ensaios: Sociobiologia



por Amanda Rodrigues da Silva

Lisyê Alice Baena, Marília Tararthuch

Graduandas do Curso de Biologia








No ano de 2013 uma forte chuva provocou enchentes na cidade de Governador Valadares no Vale do Rio Doce em Minas Gerais, deixando centenas de pessoas desabrigadas e regiões isoladas.

Cerca de 5 milhões de reais foram enviadas pelo Ministério Público Federal, com a finalidade de ajudar as vítimas e a reabilitação da cidade, mas com o tempo as obras não foram sendo realizadas gerando uma dúvida nos moradores da cidade de onde esse dinheiro poderia estar sendo empregado.
            Foi visto que aproximadamente 30% do dinheiro público foi desviado em prol do esquema criminoso, e foi utilizado para a compra de carros de luxo e viagens internacionais. Sendo assim o MPF quis saber onde seria utilizado o dinheiro, e então instaurou o inquérito, descobrindo que uma empresa havia sido contratada para a realização de um trabalho e a mesma por sua vez não existia.

Com o encaminhar das investigações, descobriram que a propina foi realizada entre a prefeitura, vereadores e diretores da SAAE (Sistema Autônomo de Água e Esgoto) sendo que a licitação fraudada foi no total de 4 milhões e meio de reais para a contratação de uma empresa que também se encontra no esquema para instalação de aterro sanitário, em como uma empresa de coleta de resíduos sólidos com um contrato de duração de 30 anos, e assim surgiu a Operação Mar de Lama que impediu que o contrato assinado.

Além de todos os fatores cerca de 1 bilhão e meio de reais já estava sendo visado na aprovação do pagamento de tarifa do transporte público para pessoas portadoras de deficiência.

Após as investigações foram presas 15 pessoas, dentre elas os diretores das empresas envolvidas, vereadores e o afastamento de 7 dos demais vereadores da cidade. Dentre os 150 crimes realizados na cidade, os mais frequentes foram de corrupção ativa e passiva.

A forma ativa do crime de corrupção, prevista no artigo 333 do Código Penal, se dá por alguma forma de compensação, como dinheiro ou bens, para que o agente público faça algo que não é de acordo com sua função. Já o crime de corrupção passiva, previsto no artigo 317 do Código Penal, é definido como a obtenção de recompensa este tipo de corrupção é acometido por um agente corrompido.

Afinal o que leva as autoridades do poder público praticar atos corruptos? De roubar o dinheiro destinado para a melhor qualidade de vida da população?

Estudos realizados demonstraram que pessoas ao saberem que a probabilidade de punição é baixa, praticam atos desonestos, e que possuem a tendência de tais atos corruptos, quando o grupo em que pertence pratica o mesmo. Uma das explicações para a pratica da corrupção pode se dar pelo hormônio da Testosterona em homens, devido esse hormônio gerar apatia entre o corruptor e os lesionados. Outra explicação está relacionada com os hormônios do prazer, como Serotonina, Oxitocina, Dopamina e Endorfina, que ao serem liberados na corrente sanguínea, fazem com que ao praticar um ato corrupto, o mesmo se sinta em êxtase, acreditando que esteja praticando algo bom.

            A corrupção no Brasil já é vista desde a época da colonização portuguesa, e na escravidão que mesmo sendo proibida, o governo brasileiro tolerava e era conivente com os traficantes de escravos que burlavam a lei.
Em 1822 com a proclamação da independência, e o Brasil intitulado república, a corrupção ganhou novas formas, sendo praticada em áreas eleitorais e de
obras públicas.
            Nessa
história da corrupção brasileira pode se deduzir que há um ciclo vicioso em relação as práticas ilícitas, transmitindo a impressão que o problema é algo cultural, mas na verdade isso se dá a falta de prestação de contas, de punição, de controle e de cumprir as leis.

            Nós futuras biólogas, acreditamos que o Brasil como um todo precisa saber punir corretamente aqueles que infringem a lei em todos os âmbitos sociais, pois hoje em dia a corrupção se tornou algo comum na sociedade, demonstrando que por mais simples que ela seja todos podem praticar, visando benefícios próprios e que não sofrerão a punição para tal ação ilícita.





Presente ensaio foi elaborado para disciplina de Etologia, tendo como base as seguintes obras:




 http://www.saaegoval.com.br/










Corrupção com direito à benefícios: Tudo pelo poder


Série Ensaios: Sociobiologia

Por: Bruna Schaidt, Izadora Oliveira, Ronald Bueno e Sayori Nakayama
Acadêmicos do curso de Biologia



Em 29 de março de 2006, ao conseguir ser “demitida” de um cargo público, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, recebeu pelo menos R$ 145 mil. Ela foi “exonerada” do cargo da diretoria financeira de Itaipu Binacional. Por meio de um acordo com o comando de Itaipu, Gleisi trocou a “exoneração a pedido”, o que de fato ocorreu, pela “exoneração”, ou seja, demissão. Com isso, recebeu, além de férias proporcionais, entre outros, os 40% de indenização sobre o saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), além de poder sacar o próprio FGTS. A assessoria da ministra confirmou ao Estado que ela recebeu a multa de 40% relativa ao FGTS no valor de R$ 41.829,79. Foi informado ainda que ela sacou o fundo, mas Gleisi se recusou a revelar o valor. Pelo cálculo em cima dos 40%, a ministra teria pelo menos R$ 104 mil de FGTS. Ou seja, o “acerto” com Itaipu rendeu a ela cerca de R$ 145 mil em 2006. (Azevedo).


Este ensaio tem por objetivo citar um caso real de corrupção no Brasil repercutido na mídia e esclarecer por que o ser humano traz consigo uma necessidade de fraudar situações e mentir para outros para conseguir alcançar o que deseja, partindo dos pontos psicológicos, biológicos e etológicos.
Precisamos primeiramente entender que a corrupção é um fato que exige uma relação entre dois agentes para ser praticado, um em cada polo: no ativo, o corruptor, aquele que oferece ou promete vantagem indevida a um funcionário público para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício, e, no passivo, o corrompido, o funcionário público que aceita essa oferta ou a solicita, para si ou para outrem, em razão de sua função, direta ou indiretamente, ainda que fora dela, ou antes, de assumi-la. (Milhomens).
    Segundo a ex-Presidente Dilma Rousseff que alegou em um de seus discursos, que “A corrupção não nasceu ontem, é uma senhora idosa e não poupa ninguém”. (Santos). Entende-se, de acordo com Andrade, que a corrupção se trata de um problema que se remete a tempos muito longe dos nossos. Ela existe desde muito antes do descobrimento do Brasil e esteve sempre presente em muitos países e em vários momentos da História. Há quem tome por referência, o primeiro ato de corrupção como a oferta, pela serpente, da maçã em troca simbólica do paraíso pelos prazeres da carne. Lógico que essa hipótese não aconteceu de fato, porém, nos traz uma clarividente noção de que a disposição a se corromper está intrínseca no ser humano, cabendo apenas a ele o discernimento próprio de seus atos. A origem da corrupção tem ligação direta com o aparecimento do Estado. Para Batista, o Estado é o principal responsável pela corrupção e pela violência, cabendo-lhe coibir ou punir os corruptos, exemplarmente, inclusive com pena de morte, se for o caso. Está mais do que provado que a impunidade incentiva ao crime, sobretudo aos crimes bárbaros ou hediondos.
    O medo de morrer ou de ser punido com a pena de morte, é o que mais apavora o homem. O corpo e a mente humanos são feitos para escolher o caminho mais fácil entre dois pontos no tempo e no espaço. É bem documentado, por exemplo, que primatas como os chimpanzés utilizam-se de meios bastante "questionáveis" para manter-se no poder. Não raro o macho alfa estupra, assassina rivais, esquarteja e faz terror com seus opositores. Num cenário no qual ser honesto apresenta diversos empecilhos e em muitas situações uma impossibilidade de existência, qualquer um vira um corrupto latente. Não é que a corrupção seja natural do ser humano, mas o seu princípio é que o é. O princípio da corrupção é obter vantagem pessoal e, como já falamos, o meio mais eficiente para isso é "escolher o caminho mais fácil": seguir as regras exige dedicação, consciência, abdicação pessoal em prol do público e muitas pessoas não têm tendência para isso, pois é custoso em termos de investimento pessoal. (Félix).
   Em um estudo realizado recentemente, pesquisadores demonstraram como um certas substâncias pode afetar nosso organismo, nos induzindo de forma mais ou menos honesta, fazendo com que a desonestidade fosse alterada de acordo com o nível das substâncias presentes no corpo.
    Foi demonstrado em tal estudo que a ocitocina, substância que funciona tanto como hormônio como neurotransmissor, a influência na abordagem social, sendo que oa indivíduos que receberam uma dose intranasal de ocitocina mostraram um nível mais de desonestidade, diferente daqueles que receberam placebo, que também foram desonestos, porém em menos quantidade, desta forma, o grupo que realizou este experimento considerou que o grupo que recebeu a dose de ocitocina demonstrou maiores níveis de desonestidade.
        A sociologia trata a corrupção do dia a dia como uma reflexão da individualidade dos cidadãos uma vez em que a coletividade está em colapso, como caso do trânsito, saúde, educação e não há um equilíbrio e respeito com o outro cidadão e a sociedade é reflexo do coletivo. Também há uma frase de autor desconhecido em que diz que "o mundo que nós vamos deixar para nossos filhos depende dos filhos que deixaremos para o mundo",ou seja, cabe ao coletivo unir esforços para que a corrupção não seja algo aceito como é hoje em dia aceito no Brasil.
            A falta de coletividade e um agravante que é a polaridade política no Brasil da uma ideia de como o coletivo do país está dividido e em colapso, como o caso de uma médica que se negou a dar atendimento a um bebê pois sua mãe era petista, e isto afirma como estamos lidando com pessoas que preferem ter um partido político como um símbolo de caráter e personalidade absoluta.  A corrupção está muito mais associada a um determinado funcionamento ou a falta deste da sociedade brasileira do que dos brasileiros individualmente.
            Psicologicamente a negação (ou justificação) de um problema nos enxuga lágrimas. Ela é feita, portanto, para nos liberar do peso da reprovação social. Também para não afetar nossa autoimagem de que somos íntegros, honrados, honestos etc (vide os Cunhas da política brasileira).     O Brasil hoje não é o único país com governo corrupto, mas é um paraíso para ela. A solução além da mudanças de comportamentos de toda a sociedade, passa pelo reconhecimento dela. Em lugar de esconder pra debaixo do tapete, é necessário dizer o seu nome, a sua dimensão, seus danos e consequencias e assim o processo de "descorrupção" se inicia.
            A corrupção só irá silenciar quando a partir da mudança de comportamento individual incentivar a mudança comportamental do coletivo. A corrupção está ancorada de uma forma que o brasileiro não percebe que ele também é parte da corrupção e sendo assim a visão de que a lei vale para os outros e não para mim está gravemente ligada a impunidade e só será cessada se essas pequenas atitudes perversas também cessarem.
       O caso de Gleisi Roffman nos fez entender que a sua demissão do cargo da diretoria financeira da Itaipu Binacional, se deu para evitar a sua exoneração de tal cargo, obtendo benefícios como férias e autorização de sacar seu FGTS, benefícios estes, que de acordo com a lei, não são autorizados. Gleisi, assim como tantos outros políticos e empresários, fazem tudo o que podem para conseguir arrecadarem para si próprios cada vez mais dinheiro, geralmente se tratando de verba pública.
Como futuros biólogos, notamos aqui uma necessidade quase compulsiva vinda de políticos, de levar vantagem em cima dos cofres públicos. Assim como os animais querem obter poder acerca dos demais da mesma espécie, o ser humano não é diferente. Observamos muitos casos de corrupção no Brasil e no mundo todo, onde a priori das atitudes errôneas tomadas por políticos, é a obtenção de poder sobre outros seres humanos, e riqueza para sustentar seus desejos pessoais. O mundo político brasileiro não está acostumado a prestar contas dos seus atos, muito poucos estão sendo punidos, o que lhes oferece tamanha ousadia para com o dinheiro público. Nessa guerra pelo poder, o cidadão entende que deve haver cargos estatais para manter o Estado, mas deve entender também, que estes políticos só estão cada dia lucrando mais, porque nós os colocamos no poder, e é somente o cidadão que vota nas urnas, que pode mudar esta realidade, seja na hora do voto, ou seja reivindicando seus direitos quando algum ato de corrupção se torna visível.

 


O presente ensaio foi elaborado para disciplina de Etologia, baseando-se nas obras:


 


ANDRADE, T., X. As possíveis causas da corrupção brasileira. Revista Âmbito Jurídico. Recuperado de http://ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=13754&revista_caderno=27 em 20/06/2016.

AZEVEDO, R., Arranjo para demissão em Itaipu rendeu R$ 145 mil a Gleisi. Revista Veja, Colunistas. 25/08/2011. Recuperado de http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/arranjo-para-demissao-em-itaipu-rendeu-r-145-mil-a-gleisi/ em 20/06/2016.
BATISTA, A. (1983), Corrupção: Fator de Progresso? A Tribuna de Santos/SP, 30/05/1983. Recuperado de http://www.dnit.gov.br/download/institucional/comissao-de-etica/artigos-e-publicacoes/publicacoes/Corrupcao%20no%20Brasil.pdf em 20/06/2016.
Diário de Santa Maria. Entenda por que a corrupção está em nosso DNA. Disponível em . Acesso em 20 de junho de 2016.
FÉLIX, J., D., B., S. Por que é impossível acabar com a corrupção? Site Obvius. Recuperado de http://obviousmag.org/o_sentinela_psiquico/2015/04/por-que-e-impossivel-acabar-com-a-corrupcao.html em 20/06/2016.
Jusbrasil. Corrupção e o mecanismo psicológico da negação. Disponível em . Acesso em 20 de junho de 2016.
MILHOMENS, L., P. Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). Corrupção - Um estudo sobre suas origens, sua fiscalização e suas causas em nossos dias. Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Recuperado de http://www.amb.com.br/portal/docs/artigos/corrup%C3%A7%C3%A3o_lia_pantoja.pdf em 20/06/2016
O Hormônio que pode torná-lo desonesto. Vieplanyte. Disponível em: <http://pt.vieplanyte.com/neurociencia/o-hormonio-que-pode-torna-lo-desonesto.php>. Acesso em 20 de junho de 2016.
Pragmatismo Político. Médica se recusa a atender nenem que tem mãe petista. Disponível em . Acesso em 22 de junho de 2016.
PsiBr. A Corrupção e a Psicologia do "Caráter" Nacional. Disponível em . Acesso em 22 de junho de 2016.
SANTOS, A., A., M. Entenda por que a corrupção está em nosso DNA. Diário de Santa Maria, 21/03/2015. Recuperado de http://diariodesantamaria.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/noticia/2015/03/entenda-por-que-a-corrupcao-esta-em-nosso-dna-4723208.html em 20/06/2016.