sexta-feira, 17 de abril de 2015

Empregatício? Adequação? Obrigação!



Série Ensaios: Aplicação da Etologia

Por Gabriela Baptista, Kaleandra Krama, Lohana Souza e Nicoly Subtil
Acadêmicas do curso de Biologia PUCPR

        
Bem estar animal, pode-se aplicar?   Um exemplo de como é aplicado esses sistemas é um protocolo criado para o Bem-Estar de Frangos e Perus pela União Brasileira de Avicultura com objetivo de uniformizar os procedimentos nas indústrias de frangos e perus para alinhar os compromissos éticos. Na mídia encontram-se vários relatos de novos sistemas de criação que diminuem os sofrimentos dos animais produtores, um deles é de um sistema de manejo para aves que dispensa qualquer tipo de sofrimento, criado em Itapeúna, São Paulo. Com esse sistema os frangos não ficam em gaiolas, permanecem em galpões, e ficam em poleiros com cerca de 15 centímetros por animal e uma caixa ninho para cada cinco galinhas, permitindo que fiquem mais livres, e assim desenvolvem mais atenção e curiosidade entre outras habilidades. O alojamento é coberto por uma cama feita com material de boa qualidade que que faz bem às galinhas e colabora para reduzir os fatores de estresse.
O termo “Bem-estar”, por ser um conceito prático, é claramente definido em medições científicas precisas com muitas definições propostas; a definição mais aceita no meio científico vem sendo publicada por Broom (1986), em que “bem-estar de um indivíduo é seu estado em relação às suas tentativas de se adaptar ao seu ambiente”. Porém a maneira mais fácil de empregar este conceito de forma prática seria enfocar o grau de dificuldade que um animal demonstra na sua interação com o ambiente para satisfazer suas necessidades biológicas.

O bem estar animal em si, vem sendo questionado desde as antiguidades. Seu primeiro relato surge na bíblia a 4 mil anos atrás no velho testamento com a seguinte passagem “Caso não goste do seu vizinho, isto não o isenta da necessidade de acudir seu animal encontrado enfermo ou em sofrimento, sendo sua obrigação acudi-lo” e “Após o dia de trabalho, é obrigação sua alimentar o animal usado antes mesmo de você se alimentar” são passagens que exemplificam a situação”. 
Os primeiros princípios sobre bem-estar animal começaram a ser estudados em 1965 por um comitê formado por pesquisadores do Reino Unido, denominado Comitê Brambell, iniciando-se, assim, um estudo mais aprofundado sobre conceitos e definições de bem-estar animal Esse Comitê elaborou uma resposta à pressão da população, indignada com os maus-tratos a que os animais eram submetidos em sistemas de confinamento, relatados no livro Animal Machines (Máquinas Animais), publicado pela jornalista inglesa Ruth Harrison em 1964, (LUDTKE 2010). 
Somente em 1993  a Comissão, de Brambell, editou a Declaração Universal de Bem-Estar Animal, onde constam as “Cinco Liberdades” (Five Freedom), que permitem avaliar a propriedade, a indústria e o manejo, quanto ao respeito e bem-estar dos animais. Liberdade Fisiológica ausência de fome e sede; Liberdade Ambiental ausência de desconforto térmico ou físico.Liberdade Sanitária ausência de injúrias e doenças. Liberdade Comportamental é a possibilidade para expressar padrões de comportamento normais. O ambiente deve permitir e oferecer condições. Liberdade Psicológica é aausência de medo e ansiedade. O animal não deve ser exposto a situações que lhe provoquem angústia, ansiedade, medo ou dor.  O Decreto-Lei nº 64/2000 de 22 de Abril, define que, no Brasil, o proprietário ou detentor dos animais deve tomar todas as medidas necessárias para assegurar o bem-estar dos animais ao seu cuidado e para garantir que não lhes sejam causado dores, lesões ou sofrimentos desnecessários (HOTZEL & FILHO, 2004). Em janeiro de 2013, entrou em vigor na União Europeia o Regulamento 1099/2009 que prevê diversas exigências para o abate baseadas nos resultados de pesquisas sobre bem-estar animal. Só podem, ser abatidos após atordoamento, seguindo requisitos claros sobre a perda de consciência antes do processo industrial.
O sofrimento animal passa a ser um fator preocupante, com isso, se torna questionável a questão de procedimentos sem anestésicos ou analgésicos. A dor é entendida como resposta comportamental para com o ambiente alterado, sua complexidade ultrapassa a barreira física; a dor faz parte do cotidiano dos seres vivos e é fundamental para sobrevivência. É um estímulo sensorial de alerta para que os indivíduos percebam a ocorrência de lesão tecidual, estabelecendo mecanismos de defesa ou de fuga (Teixeira, 1995). Os maus-tratos de animais é crime, e vem ganhando cada vez mais poder desde 1964 a partir de um livro escrito pela inglesa Ruth Harrison, com o título “Máquinas Animais” que deixava claro os maus tratos dos animais através de fotos e pinturas, despertando aos consumidores exigências dos órgãos responsáveis e produtores o cumprimento de normas já estabelecidas e o desenvolvimento de pesquisas que minimizassem o sofrimento, a angústia e a dor desses animais. Do ponto de vista econômico, os animais têm uma função fundamental.  E as preocupações do bem-estar de animais usados na produção aumentam cada vez mais. Os mesmos devem ser alimentados, abrigados e mantidos saudáveis até o ponto em que isto compense financeiramente, pois aumenta a qualidade de vida dos animais e aumenta a satisfação com produtos de origem animal e o valor econômico desses produtos.  O bem-estar dos animais de produção é determinado, na prática, pelo sistema de criação e manejo praticado pelos pecuaristas, que por sua vez é determinado largamente pelos sinais econômicos que os produtores recebem do mercado (Molento, 2005).

 Nós como formandas em Biologia acreditamos que como o bem-estar animal é atualmente um dos principais pontos discutidos pelos ambientalistas e especialistas das criações animais voltadas para a exploração econômica, é preciso mais grupos que atuem em defesa aos animais, pressionando para a definição que limitem a ação do homem no tratamento desses animais, porque todos sabemos que por mais que existam leis e regras ainda tem pessoas que praticam esse manejo inadequado, permitindo a criação desses animais em melhores condições. Assim sendo, melhorando seu bem-estar, pode ocorrer uma melhora nos resultados econômicos e uma resposta à demanda dos consumidores.

O presente ensaio foi elaborado para disciplina de etologia baseando-se nas obras:
FURLAN, R.L.; MACARI, M.; COSTA, M.J.R.P. Bem-estar das aves e suas implicações sobre o desenvolvimento e produção.  Publicado em: . Acessado em Março de 2015.
LUNA, S.P.L. Dor, senciência e bem-estar em animais. Publicado em: < http://www.rcvt.org.br/suplemento11/17-21.pdf>. Acessado em Março de 2015.
MOLENTO, C.M.F. Bem-estar e produção animal: aspectos econômicos – Revisão. Brasil. Archives of Veterinary Science v. 10, n. 1, p. 1-11, 2005.
NAAS, I.A. Princípios de bem-estar animal e sua aplicação na cadeia avícola. Publicado em: < http://www.biologico.sp.gov.br/docs/bio/v70_2/105-106.pdf>. Acessado em Março de 2015.
SINGER, P. Animal liberation. New York: HarperCollins, 2002. 324 p.
ZEDER, M.A.; HESSE, B. The initial domestication of goats (Capra hircus) in the Zagros mountains 10,000 years ago. Science, Washington, DC, v.287, p.2254-2257, 2000. 
HOTZEL, M. J. & FILHO, L. C.P. Bem-estar animal na agricultura do século XXI. Revista de Etologia, São Paulo, v.6 n.1. Junho de 2004. Disponivél em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1517-28052004000100001&script=sci_arttext>. Acessado em: 16 abr.2015.

LUDTKE, C. Bem-Estar animal, qualidade Ética da carne. Agro Analysis a Revista de Agronegócios da FGV, São Paulo. Janeiro de 2010. Disponivél em <http://www.agroanalysis.com.br/especiais_detalhe.php?idEspecial=54&ordem=2>. Acesso em: 16 abr.2015.  

Luto! Humanos e animais no divã...



Série Ensaios: Aplicação da Etologia

Por Ana Vitoria Lopes, Gabriela Dias, Laura Cardona, Paula Larocca e Victoria Stadler
Acadêmicas do curso de Ciências Biológicas

  



"No caso O bem que fizeres a ti retornará que surpreendeu a mídia na última semana, foi mostrado como a dor de perder alguém de estima não se é vista apenas em humanos, os animais também sofrem quando um deles se vai. Nessa história, os cães que sempre foram cuidados com muito carinho pela senhora Margarita Suarez prestaram uma “homenagem” a ela, comparecendo ao seu funeral e apenas deixando a cerimônia quando seu corpo foi cremado. Uma história que comove qualquer um ao perceber que os animais também sentem a dor de perder um ente querido."


A morte! A única certeza da vida? Como seres vivos, nos deparamos com as etapas “nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer”. E nada mais natural do que esse processo. A história humana, carregada de crenças e culturas, enfrenta este ciclo de diferentes formas, principalmente quando tratamos da morte, mais propriamente dito, o luto. Visões, valores e sentimentos são diversificados em todo o mundo. Esse sentimento é único, repleto de etapas. Afinal, o que é o luto? Por que o sentimos? E como sentimos?
O luto caracteriza-se não só por apenas um sentimento, mas sim um conjunto deles.  Segundo Freud, o luto é um trabalho psíquico que requer um tempo para elaboração da perda e da transformação da realidade psíquica, desestruturada pela falta do objeto perdido. Entretanto, Bowlby postula que os animais nascem estruturalmente pré-programados para buscar a proximidade do outro quem será o provedor de cuidados, sem o qual a sobrevivência não está garantida.  É de nossa natureza a necessidade de atribuir significado às experiências.
Para entender esse sentimento, deve-se levar em conta as etapas e seus aspectos emocionais, comportamentais e fisiológicos. Sabe-se que o luto não é exclusivamente humano, os sentimentos são muitas vezes semelhantes em outras espécies animais. Entre animais selvagens, as cenas de luto e tristeza vão desde chimpanzés que observam em silêncio o companheiro morto até elefantes que estendem as trombas a um filhote moribundo. No caso de animais domésticos, as ligações são ainda mais fortes. A antropóloga americana Barbara King durante suas pesquisas para o livro “How Animals Grieve” (Como os Animais Ficam de Luto) ressalta que a ciência está longe de desvendar totalmente o grau de compreensão dos animais sobre o fim da vida. “Nem toda a resposta à morte significa luto”. Alguns bichos reagem com curiosidade, cutucando o cadáver. Outros parecem indiferentes à perda de um companheiro e até praticam canibalismo.
Existe o grupo de apoio Association for Pet Loss and Bereavement para pessoas que estão em luto pelo pet que morreu. A associação abre espaço para as pessoas se expressem, que discutam a vivência do seu luto, passo bastante importante, uma vez que a vivência necessita ser verbalizada e trabalhada. 

A primeira etapa do luto é o choque, quando tratamos de questões afetivas, os sentimentos atribuídos a esse momento variam entre depressão, ansiedade, culpa, raiva e hostilidade. E, em questões comportamentais manifestam-se em choro, agitação, fadiga e falta de apetite. Aspectos estes que resultam-se de alterações endógenas, fisiológicas e químicas em nosso organismo. Esse estresse envolve o sistema nervoso central e autônomo, endócrino, cardiovascular, gastrointestinal e imune. Os neurotransmissores mais afetados e desequilibrados são: noradrenalina, serotonina e em menor proporção e a dopamina. Estes estão ligados à regulação do humor, energia, sono e motivação. Devido a esse quadro depressivo, o hipotálamo acaba por produzir o cortisol em excesso. Diferentes neurotransmissores podem estar comprometidos em diferentes graus de intensidade, o que pode explicar a variabilidade nas manifestações clínicas de diferentes pacientes.
E por quanto tempo vai levar-se esse sofrimento?
Há dois tempos: o tempo do relógio e o tempo interno de cada um. Estes tempos nem sempre são coincidentes, pois cada um tem um tempo interno com marcação diferente, no qual funciona pelas sensações e sentimentos de cada um; por isso o tempo do luto é diferente para cada pessoa. Sem dúvida, o tempo do relógio irá ajudar o enlutado a entrar novamente na realidade, com o difícil encargo de aprender a conviver com o sofrimento.
Nós como futuras biólogas ressaltamos que acerca dessas informações, é importante entender que o luto é um processo natural nos seres vivos (mesmo que não muito bem compreendido). Cada uma das perdas inevitáveis refletem e são acompanhadas por um sofrimento particular e portanto, difícil de descrever. Pesquisas tem buscado a cada dia mais o entendimento desse sentimento tão doloroso, que muitas vezes acarreta outras doenças psicológicas. Tais investigações tem sido cruciais para o tratamento em clínicas, tanto para os seres humanos, quanto para outros animais. A experiência do luto é necessária para a superação da perda e para a reorganização psíquica e social do enlutado, ainda que seja dolorosa e muitas vezes dilacerante.






Este ensaio foi elaborado para disciplina de Etologia, baseado nas seguintes referências:

   Luto: um tempo temido, um tempo necessário