terça-feira, 3 de maio de 2016

Inteligência além da compreensão humana


Série Ensaios: Ética no Uso de Animais



Por Ana Carolina Gadotti, Camilla Soto, Franciele Santos, Juliana Padilha e Maria Eduarda Garcia



Graduandas do curso de Biologia da PUCPR



O polvo Inky, despertou diversos questionamentos pela “façanha” que apresentou ao conseguir fugir de um aquário da Nova Zelândia e retornar para o mar. Ele foi capaz de perceber a abertura que fica a cerca de quatro metros do tanque onde ele vivia e escapou por um tubo de 15 centímetros de diâmetro, que é usado para renovação da água salgada do ambiente e atravessou 50 metros até chegar a baía de Hawke, onde encontrou o oceano. Situações como esta demonstram a inteligência dos polvos e sua capacidade de perceber o ambiente a sua volta e usá-lo a seu favor.




O termo inteligência refere-se às habilidades cognitivas, ou seja, a capacidade das espécies em solucionar problemas. Por meio do aprendizado, tais indivíduos encontram ferramentas que garantem a sua sobrevivência. Um exemplo dessa capacidade em solucionar um problema é o caso do polvo Inky.

O polvo é considerado o invertebrado mais inteligente, sendo capaz de armazenar memórias e aprender por meio de observações, além de utilizar ferramentas. Seu cérebro rodeia o estômago, e compartilha com o cérebro humano semelhanças, como lobos dobrados e regiões distintas para o processamento visual e informação tática. Acredita-se que esses cefalópodes tenham desenvolvido um alto grau de inteligência durante o processo evolutivo por não serem sociais, possuírem uma vida curta e terem perdido a proteção proporcionada por uma concha externa.

Existem diferentes rankings que classificam os animais mais inteligentes, mas todos baseiam-se na capacidade dos mesmos em resolver problemas e o uso de ferramentas para tal, seus mecanismos de aprendizado, sua memorização e, ainda, sua comunicação com outros indivíduos.

Dentre os vertebrados, os elefantes possuem capacidades sociais altamente complexas, e com uma percepção incrível, podendo reconhecer vozes humanas e perceber o perigo que elas podem representar de acordo com a etnia, sexo e outras características presentes na voz. Os golfinhos, além de reconhecerem a si mesmos, podem processar informações recebidas tanto pelo modo acústico como visual o que lhes permite responder à imagem com precisão comparável aos níveis de respostas humanas. Mais próximos de nós, cães e gatos são capazes de entender e realizar diversas tarefas. Já o orangotango, considerado o animal não humano mais inteligente, apresenta a inteligência cultural, ou seja, a capacidade em aprender por meio da observação de outros de sua espécie. Tal forma de aprendizado é direcionado principalmente no desenvolvimento de ferramentas para a obtenção de alimento.

Com relação a esse tema, algumas questões foram levantadas, como, por exemplo, se os animais são vingativos, por tal comportamento exigir um maior raciocínio e planejamento por parte do animal antes de praticar a ação. Foi comprovado que em algumas espécies esse comportamento ocorre, contrariando a crença popular de que a vingança é um sentimento apenas humano, em outros, a vingança está mais relacionada ao instinto, como no caso dos búfalos que protegem os membros mais fracos ou filhotes de ataques de predadores intimidando-os.

Nós, formandas de biologia, acreditamos que assim como nós humanos, diversos animais ao longo de sua evolução também desenvolveram diferentes níveis de inteligência para enfrentar os diversos desafios que encontraram durante seu processo evolutivo. O resultado pode ser visualizado hoje em dia em demonstrações de inteligência "quase tão complexas" quanto a humana. Porém, tentar mensurar o nível de complexidade da inteligência de um animal comparando-a a de um ser humano pode ser perigoso: apesar de nossa alta capacidade de entender e pensar, ainda somos muito limitados na compreensão do funcionamento da mente e dos processos fisiológicos de outros animais. Como afirmar que um animal não pode ser considerado inteligente sem entender como ele se comunica ou interage com outros animais ou com o meio? Talvez os animais possuam outras formas de expressar sua inteligência que não são compreendidas por nós, meros humanos.





O presente ensaio foi elaborado para disciplina de Etologia, baseando-se nas obras:



Whiten, A., Horner, V., De Waal, F. Conformity to cultural norms of tool use in chimpanzees. Nature online, agosto de 2005.

VAN SCHAIK, C. P., & PRADHAN, G. R. A model for tool-use traditions in primates: implications for the coevolution of culture and cognition. Journal of Human Evolution, 44(6), 645-664, 2003.

VAN SCHAIK, C. P., ANCRENAZ, M., BORGEN, G., GALDIKAS, B., KNOTT, C. D., SINGLETON, I., SUZUKI, A., UTAMI, S., MERRILL, M. Orangutan cultures and the evolution of material culture. Science, 299(5603), 102-105, 2003.












terça-feira, 26 de abril de 2016

Cuidados Paliativos em Animais Domésticos, Questões Bioéticas e Bem-Estar Animal


Série Ensaios: Ética no Uso de Animais

Por Maria Leonor Gomes de Sá Vianna

Mestre em Bioética pela PUCPR



Em Houston nos Estados Unidos, a família Robert descobriu que Duke seu cão adotado da raça labrador foi diagnosticado com câncer nos ossos, após amputação e tratamento intensivo contra a doença eles constataram que o câncer teria espalhados por outros partes de seu corpo e que ele  sentia muito  desconforto e dor  , quando sua condição de saúde piorou a família decidiu pela eutanásia e para sua despedida  fizeram um dia divertido e alegre  abaixo o vídeo com o ensaio fotográfico sobre o  seu ultimo dia de vida. 



As pesquisas de comportamento revelam que, mais até do que amigos, os bichos de estimação são hoje vistos como filhos ou irmãos em boa parte dos lares que os acolhem. Com o avanço tecnológico na medicina veterinária novos procedimentos, tratamento terapêutico e exames complementares vêm auxiliando no que diz respeito a prognóstico, diagnóstico e tratamento do animais,  muitos destes então são encaminhados aos cuidados paliativos.

Os cuidados paliativos são aqueles dispensados aos pacientes com problemas decorrentes de doenças prolongadas, doenças crônicas graves, degenerativas terminais, incuráveis e progressivas, como câncer, insuficiência renal crônica e insuficiência cardíaca progressiva. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é definido como uma abordagem que melhora a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias que enfrentam uma doença com risco de vida através da prevenção e alívio do sofrimento, incluindo tratamento da dor e outros problemas físicos, tratamento psicossocial e espiritual (WHO, 2002)
A manutenção da qualidade de vida dos animais é o principal objetivo deste tipo de cuidados (SIMON, 2006). Os pacientes terminais necessitam de cuidados integrais por horas, dias, semanas ou meses, na tentativa de prevenir a dor, o sofrimento físico e o desconforto. Além destes cuidados o profissional deve fornece orientação emocional e espiritual aos proprietários, sempre considerando a morte como um fluxo natural. O conceito de bem-estar animal refere-se a uma boa ou satisfatória qualidade de vida que envolve determinados aspectos referentes ao animal tal como a saúde, a felicidade, a longevidade (TANNENBAUM, 1991).
           Já que estamos falando sobre bem-estar animal e cuidados paliativos os dois tem como principal objetivo manter a qualidade de vida. A escala de qualidade de vida desenvolvida por Villalobos é uma ferramenta para auxiliar proprietários e médicos veterinários nas decisões bioéticas relacionados à vida e a morte (VILLALOBOS, 2011)
           Os itens que avaliam o estado clínico do paciente por meio dos seguintes parâmetros: dor, fome, hidratação, higiene, felicidade, mobilidade e mais dias bons que ruins. E recomendado pela autora atribuir a cada parâmetro uma nota de 1 a 10, sendo 1 (péssima qualidade de vida) e 10 (ótima qualidade de vida).
           A dor tem grande interferência na qualidade de vida e bem-estar do animal, já que esta influência a capacidade do animal de alimentar, andar e em muitos casos até de respirar. O controle da dor é primordial em cuidados paliativos e pode ser realizado com medicação analgésica ou com terapias alternativas como acupuntura e recursos da fisioterapia. É de suma importância que os proprietários sejam instruídos a monitorar as mudanças de comportamento do seu animal para observar a presença da dor. Comumente os animais demonstram dor com postura anormal, alterações nas atividades, agressão, agitação, lambeduras de feridas, falta de apetite, depressão, agitação, dificuldade para dormir, vocalização, mudança da expressão facial (SHANAN et al., 2014).
Fome -  A alimentação é considerada um desafio em muitos casos. Animais com doenças graves a falta de apetite é com certeza uma das grandes dificuldades do tutor, pois a desnutrição se desenvolve rapidamente. Devemos fornecer a quantidade de calorias suficiente para manter o peso corporal. É preciso paciência, gentileza e persuasão para conseguir que alguns se alimentem. 
 Hidratação   - A hidratação adequada é indispensável para manter o animal hidratado, pode fazer enorme diferença na qualidade de vida durante o tratamento paliativo. Oferecer água limpa e abundante ao animal é essencial.

Higiene - A boa higiene é fundamental, visto que o animal não gosta de ficar perto de sujeira principalmente de suas fezes e urina. Uma indicação eficaz é umedecer uma toalha e limpar suavemente o rosto, as patas e as pernas do paciente. Os animais geralmente adoram este tipo de carinho no rosto e nas patas e certamente será um momento prazeroso para o animal e o tutor.
Felicidade - O animal tem desejos e necessidades e devemos questionar se esses estão sendo alcançados. Ele precisa de estímulo mental para se sentir feliz, e o tutor deve entender o que pode fazer para proporcionar felicidade. Necessita ser orientado a observar se o animal doente aproveita as carícias com prazer ou se está deprimido, solitário, ansioso, entediado ou com medo.
Mobilidade - A mobilidade de um animal de estimação tem diversos aspectos e não significa somente a locomoção. Se o animal permanece acamado, deve haver alteração de posição a cada duas horas, a fim de evitar escaras de decúbito. Um colchão tipo caixa de ovo, um carrinho ou cadeiras de rodas especiais podem fazer a diferença na qualidade de vida.
Dias bons e ruins - É fundamental contabilizar se há mais dias bons do que ruins. São considerados ruins os dias com distúrbios como: náuseas, vômitos, diarreia, convulsões e apatia. Quando há muitos dias maus a qualidade de vida e o bem-estar com certeza estará comprometido.

É muito difícil para o tutor optar pela eutanásia de um animal querido. Ela é definida inicialmente como eliminar a vida de um ser. Atualmente é entendida como a prática de aliviar ou evitar sofrimento, através da morte sem dor, como um ato de compaixão pelo ser que sofre intensamente, em estágio final de doença incurável (FELIX et al., 2013).  Devemos considerara outros fatores no relacionamento homem-animal como a devoção, a quantidade de tempo dispensada pelo tutor, seu esforço e interação contínua com o animal, portanto demonstrando respeito e preocupação com o seu animal, evitando assim o sofrimento de ambos e pôr fim a responsabilidade pela decisão em abreviar a dor e sofrimento do animal.
             Acredito como bioeticista que animal com uma doença incurável precisa ter suas básicas atendidas e para que isto aconteça devemos analisar qualquer situação levando em consideração a Teoria de Peter Singer de igual consideração de interesses” que defende uma forma de igualdade que inclui todos os seres, humanos e não-humanos. Ele ressalta, não temos o direito de ignorar os interesses dos animais não-humanos, tratando-os sem qualquer consideração por seu sofrimento ou dor, simplesmente em função de atender a nossos próprios interesses ou por não serem membros da nossa espécie (SINGER, 2004). Os animais são capazes de pensar e de sentir, se concordarmos com os fundamentos do bem-estar animal e reconhecermos nossas obrigações para com eles como seus tutores, pensando em suas necessidades e sentimentos assim estarem caminhando para o que ele realmente quer que é apenas ser nosso companheiro, estar ao lado da pessoa que o escolheu, ser amado, tratado como um animal com igualdade de direitos e viver com dignidade e respeito.

O Presente ensaio foi elaborado para disciplina Temas de Bioética e bem-estar animal tendo como base as seguintes obras:

DOWNING, R. Pain management for veterinary palliative care and hospice. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, Chicago, v. 41, n. 3, p. 531-550, mai. 2011.
FELIX, Z.C., et al. Eutanásia, distanásia e ortonásia: revisão integrativa de literatura. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 18, n. 9, p. 2733-2746, set. 2013.
SIMON D..Palliative treatment in veterinary oncology. In:North American Veterinary Conference.2006Disponível em: http://www.ivis.org.
SHANAN, A. et al. Animal Hospice and Palliative Care Guidelines. Published by the International Association of Animal Hospice and Palliative Care, mar. 2014. Disponível em: .Acesso em: 20 set. 2014.
TANNENBAUM, J . Ethics and animal welfare: The inextricable connection. Journal American Veterinary Medical Association, Vol. 198:1991
VILLALOBOS, A.E. Quality-of-life assessment techniques for veterinarians. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, Chicago, v. 41, n. 3, p. 519-529, mai. 2011.
WHO Definition of Palliative Care. World Health Organization. Disponível em: .Acesso em: 25 set. 2014.

quinta-feira, 31 de março de 2016

O Olhar Do Serviço Social Acerca Dos Maus Tratos Aos Animais E A Violência Doméstica


Série Ensaios: Ética no Uso de Animais

Por Karla Chugam

Assistente Social

DPMA investiga morte de seis cães agredidos encontrados em sacos em Piraquara” a noticia foi veiculada no dia 19 de janeiro deste ano, não obstante, por mais avanços que se teve em relação à proteção aos animais, é muito revoltante saber que atrocidades contra animais ocorrem a todo o momento. O mais intrigante quando no noticiário, como no vídeo abaixo, vemos crianças que cometendo tais barbáries.






Para alguns pesquisadores existe a associação de sentimentos e emoções em relação a recursos terapêuticos no que concerne homem-animal, por exemplo: tratamento de saúde. A psicoterapia, traz que o contato com bichos facilita a comunicação de conteúdos internos do paciente para psicólogo. Se adentrarmos na subjetividade do ser para poder entender o motivo pelo qual pessoas descontam em animais suas frustrações agressividades, entramos num universo mais vasto e tênue em relação à violência, que segundo o Aurélio (2003) a origem latina da palavra violentia: verbo violare significa tratar com violência, profanar, transgredir, sendo ela qualquer forma de constrangimento físico ou moral. Várias são as tipologias empregadas à violência –, sociopolítica, institucional ou não, coletiva ou individual, subjetiva, física, moral, de violação dos direitos,–, segundo o adágio: “a humanidade desde os primórdios foi naturalmente propensa à maldade e à violência, e sempre será”, porém, isso não quer dizer que não se devem evitar e cair num fatalismo messiânico?



Trazendo para o cotidiano, nas relações interpessoais, será que poderíamos atrelar a evolução dos maus tratos aos animais a violência contra pessoas? Sendo mais objetivo, a violência doméstica? Para Schopenhauer (apud MORA, 2001), a integridade e moral do indivíduo pode ser resumido de forma que “A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter, e quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem". Para alguns pesquisadores é possível afirmar que a criança e/ou o adolescente que foram vitimas ou testemunharam atos de violências, inclusive contra animais, poderão reproduzir traços de violência, reiniciando o ciclo, e ainda, defendem que os maus tratos, sejam de abuso sexual infantil, violência doméstica e maus tratos aos animais estão intimamente ligados uns aos outros.



Base do que foi citado acima pode ser retratado por meio da Teoria do Link, pouco conhecida no Brasil, nasceu nos Estados Unidos nas décadas de 80 e 90, por meio de pesquisas científicas, realizadas por Phil Arkow e Frank R. Ascione que tinham como objeto de estudo a violência doméstica, qual atrelavam na maioria das vezes, aos maus tratos aos animais.  A Teoria do Link é estudada dentro de um contexto familiar, ou seja, observando as relações de dominação de um indivíduo em face de outros, onde os animais de estimação são utilizados como ferramentas de coerção e por isso objeto de maus tratos e violência. Quando adentramos no campo investigativo da Teoria do Link e/ou qualquer outro campo, sob o olhar da prática profissional, devemos lembrar acerca da dimensão social da vida, e não somente da singularidade, caminhar entre a singularidade e a universalidade, para sobrepor a visão periférica do senso comum. O trabalho com a referida temática envolve o olhar de uma equipe multidisciplinar, pois remete a indagação acerca da subjetividade. Na prática do Serviço Social, pode-se averiguar que a atuação do profissional, por se tratar de um amplo contexto, se dá na abordagem da população-alvo (sujeito / família), na conscientização, na prevenção e na capacitação acerca da violência, e as referidas especificidades que se remetem ao subjetivo, devem ser devidamente encaminhadas aos respectivos profissionais competentes: psicólogos, psiquiatras, terapeutas, entre outros.



Sabe-se que na medida em que o Assistente Social realiza intervenções, ele participa diretamente do processo de conhecimento acerca da realidade que está sendo investigada, sua observação é ativa, pois interage e observa o outro. A pergunta que nos cabe tentar responder, enquanto categoria é: quais os desafios e possibilidades da prática profissional na garantia de direitos da vitima e do bem estar animal?

Enquanto assistente social e aspirante a bioeticista acredito que os maus tratos aos animais cometidos por crianças, segundo a Teoria do Link, podem ser um comportamento problemático, desajustado e/ou doentio, que futuramente pode ser associado com violência às pessoas. Por isso acredito que se detectado o perfil patológico da criança, por meio da intervenção terapêutica da equipe multidisciplinar, pode-se contribuir positivamente, para identificar o núcleo da violência, permitindo assim uma visão de realidade mais clara e a possibilidade de se quebrar o circulo vicioso reproduzido pela violência.





O presente ensaio foi elaborado para disciplina de Ética no uso de Animais do Programa de Pós-Graduação em Bioética da PUCPR, baseando-se nas seguintes obras:

MORA, F. J. Dicionário de Filosofia Tomo I. São Paulo: Loyola, 2004. Carta VII. Trad. José Trindade Santos e Juvino Maia Jr. São Paulo: Loyola, 2008. SCHOPENHAUER, A. Sobre o Fundamento da Moral. Trad. Maria Lúcia Oliveira Cacciola. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

 in Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2016. [consult. 2016-03-20 14:10:43]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/$aurelio-buarque-de-holanda-ferreira

GUERRA, Yolanda. Instrumentalidade do processo de trabalho e serviço social. In Serviço Social & Sociedade. São Paulo: Cortez, n. 62, 2000




http://tudosaber.com/como-denunciar-maus-tratos-contra-animais.html

terça-feira, 29 de março de 2016

Bem-estar animal: De teoria a ludicidade, como sensibilizar e cativar os educandos a práticas conscientes


Série Ensaios: Ética no Uso de Animais

Por Ana Laura Diniz Furlan

Educadora Ambiental e Mestranda em Bioética



Nas escolas, o termo Bem-estar animal, timidamente começa a ganhar notoriedade entre estudantes e educadores, porém quando referencias são divulgadas na mídia televisiva, torna-se algo mais próximo da realidade e mais acessível à abordagem.






A escola é um dos locais ideias para fomento de novas ideias e mudança de alguns conhecimentos empíricos, quando associada ao incentivo de práticas de Bem-Estar Animal os resultados são de crescimento do individuo e da sociedade.

Os avanços da sociedade moderna sejam eles cultural ou tecnológico estão de maneira crescente afastando homem da natureza de forma gradativa e vez por outra destrutiva. As belezas naturais que antes encantavam nossos ancestrais são facilmente trocadas por telas de celulares ou tabletes. Finais de semana ao ar livre são dispensados por conforto e comodidade de quartos super equipados de hotéis. Deixamos passar pelo vão dos dedos nossa Biofilia, tornando-nos monumentos vivos nas selvas de pedras. 

A história evolutiva da humanidade está interligada com a natureza desde os primeiros coacervados que surgiram na Terra primitiva, até organismos complexos e tomadores de decisões. Utilizamos dos fatores bióticos e abióticos disponíveis para nossa sobrevivência, hora de forma pacifica, hora nem tanto. Assim como estreitamos os laços com os animais que juntamente de nós evoluíram e mantiveram uma relação próxima como cães e gatos. Hoje, porém, seja uma infantilização do pensamento ou formas de desapego a qualquer forma de vida, enfrentamos sérios problemas em proteger e conservar aqueles que nos acompanham desde o primórdio de nossa existência.

Em uma recente pesquisa aponta que, cerca de 80% das famílias brasileiras possui algum tipo de animal de companhia, sendo 63% cães, os quais têm sido incorporados uma opção para substituição de filhotes, igualando o Brasil à países como Japão e Estados Unidos (IBGE, 2015).  Porém apesar de desse expressivo numero de animais mantidos sob nossa tutela, infelizmente ainda é comum ouvirmos relatos de animais sendo maltratados e humilhados por indivíduos de uma sociedade cruel, cuja essência se perdeu no processo de racionalização.

Agora questiono-me como  abordar a terminologia do Bem-estar animal  (BEA) nas escolas?  Não questionando a forma da qual humanizamos os animais dos quais mantemos sob nossa tutela, mais sim, suprindo as necessidades biológicas do animal, sejam eles domésticos, experimentação, de zoológicos, silvestres, produção e até mesmo o homem (Broom, et al, 1986).

Em recente estudo, questionou-se como a terminologia bem-estar-animal tem sido disseminada nas mídias digitais, bem a como sua concepção por estudantes do ensino básico. Para tal, além da categorização do conteúdo divulgado em diferentes veículos da internet, foi realizada uma ação com estudantes do ensino fundamental e médio de escolas da rede pública e privada. Os resultados revelaram que a disseminação de aspectos sobre o bem-estar-animal ainda está associada a uma visão antropocêntrica e utilitarista cuja maior ou menor valoração vincula-se à representatividade e funcionalidade de determinados animais.

Eu como Bióloga e Educadora ambiental acredito que a concepção dos estudantes reflete o senso comum e revela a necessidade de apropriação das fontes de informação pela educação a fim de habilitar o estudante para apreensão e processamento do conteúdo. Assim, discute-se a importância de associar a educação ambiental à bioética ambiental, uma ferramenta inovadora que visa a promoção da educação moral através condução do estudante à compreensão da importância de saber ouvir, sem julgamentos, os argumentos dos todos os atores envolvidos em questões complexas. Visando, desta forma, munir o estudante de ferramentas para que as escolhas desse futuro cidadão sejam pautadas em valores éticos globais e através de um pensamento reflexivo, crítico e responsável tenham autonomia e espírito cooperativo para encontrar soluções consensuais e justas para as sociedades, para os animais, para a natureza, desta e de futuras gerações. 





Este ensaio foi elaborado para a disciplina de Temas de Bioética e Bem estar Animal tendo como base as obras:

BROOM, D. M.; MOLENTO, C. F. M. Bem-estar animal: conceito e questões relacionadas–revisão (animal welfare: concept and related issues–review).Archives of Veterinary Science, v. 9, n. 2, p. 1-11, 2004.

LEVAI, L. F. Crueldade consentida–crítica à razão antropocêntrica. Revista Brasileira de Direito Animal, v. 1, n. 1, 2014.

SIQUEIRA-BATISTA, R., GISELLE, R., G, A. P., COTTA, R. M. M., & MESSEDER, J. C.  A bioética ambiental e ecologia profunda são paradigmas para se pensar o século XXI?.Ensino, Saúde e Ambiente, v. 2, n. 1, 2009.

WILSON, E. O. Biophilia. Harvard University Press, 1984.

IMAGENS:






terça-feira, 15 de março de 2016

A percepção de crianças e adolescentes sobre os Zoológicos


Série Ensaios: Ética no Uso de Animais

Por Natalia Aline Soares Artigas

Bióloga e Pós Graduada em Educação Ambiental



Menino atacado por tigre em zoológico tem o braço amputado” o acidente aconteceu no zoológico de Cascavel, no Paraná, no dia 30 de julho de 2014. Veja o vídeo da reportagem sobre o menino com as imagens dele “brincando com o tigre”.






Esse é um dos casos mais recentes de acidente com crianças em zoológicos, mais por que será que isso acontece? Imprudência dos pais? Imprudência dos zoológicos? Falta de informação? Falta de proteção entre as jaulas dos animais e dos frequentadores desses locais? A exposição de animais já existe há muito tempo atrás, em meados do século XVIII os animais eram mantidos apenas pelos nobres, como forma de exibição, apenas para visitação, sendo que ainda não existia uma conscientização ecológica, educativa ou científica. Tempos depois, no século XIX houve algumas mudanças com o surgimento de uma conscientização mais ecológica e a função dos zoológicos passa a se modificar, desde então a visitação do público começou  e a tentativa de atividades educativas se fez necessária.

Hoje a principal atividade dos zoológicos é a preservação dos animais (na Argentina o Zoológico Temaiken é referência na preservação e no bem estar de animais), com a reprodução adequada de cada espécie dentro do cativeiro, além da pesquisa, lazer, turismo e da educação ambiental como uma forma de educação não-formal, visando uma educação não apenas dentro dos zoológicos, mais também em parques, aquários, criadouros, locais de preservação privada.

O contato das pessoas com os animais vem de muito tempo, alguns até se tornaram mais dóceis e passaram a ser criados dentro de nossas casas como animais domésticos, por exemplo, os cães e os gatos. Isso pode fazer com que a visitação em locais de observações de espécies diferentes (que são os únicos locais em que as pessoas podem ter contato com animais selvagens) seja uma novidade e as deixe impressionadas, por isso, muitas vezes a visitação em zoológicos é mais por diversão do que para um aprendizado daqueles animais enjaulados, o que acaba tornando a educação ambiental uma tarefa difícil.

As atividades propostas por zoológicos ou outros, como visitas monitoradas, palestras, cursos, treinamentos, entre outros, visam a educação para com a preservação dos animais que ali moram ou mesmo os animais que são livres, valorizando a biodiversidade das espécies. Mais será que essas informações fazem sentido para as crianças? E para os adolescentes que já possuem uma ideia formada do que é um zoológico que provavelmente vem do ensinamento dos familiares?

Analisando alguns estudos foi possível perceber que a grande maioria das crianças ainda não conhece a função do que é o zoológico, vendo-os como um local de lazer, diversão, fazer um piquenique ou como um local para se prender os animais, fazendo-os sofrer, não entendendo que os animais podem mudar seus comportamentos em cativeiro e que nós podemos ser os responsáveis pela causa de estresse e depressão nesses animais. Outros até mesmo não conhecem a diferença entre um animal doméstico e um animal silvestre, achando até que todos são possíveis de serem mantidos como animais de estimação.


Poucas crianças conhecem a importância da pesquisa, proteção e conservação, em contrapartida as crianças adoram ficar observando os animais e o mais importante, quando elas estão interessadas no assunto, o educar fica muito mais fácil e a conscientização ocorre normalmente, assim é mais fácil compreender que muitas mudanças no comportamento são necessárias, pois o zoológico é um local à ser preservado.

As perguntas são muitas, mais as respostas são poucas, eu como bióloga e educadora ambiental acredito que muitas transformações são necessárias, não somente por parte dos pais, mais também dos zoológicos e escolas. Algumas crianças não compreendem a diferença de um cachorro para um tigre, por exemplo, para elas, eles são muito parecidos e não trazem problemas, se ela pode passar a mão no cachorro que tem em casa por que não poderia passar no tigre que tem um tamanho aproximado e parece tão dócil dentro da “casa” dele? Geralmente em zoológicos existem placas informando sobre o perigo e telas de proteção para nós não chegarmos perto, porém, vem dos pais a ideia de aproximação ou não dos filhos à essas telas. Outro conhecimento deve ser adquirido nas escolas, as informações referentes aos animais, é fundamental, o perigo que eles podem nos trazer deve ser aprendido, tanto como o seu modo de vida, alimentação, etc. Por isso é necessária uma mudança que faça com que o homem entenda que faz parte desse ambiente e que também cabe a ele os atos de preservação.



O presente ensaio foi elaborado para disciplina de Ética no uso de animais do Programa de Pós-Graduação em Bioética da PUCPR, baseando-se nas seguintes obras: